Técnico mecânico desenvolve pesquisa sobre causa de queimadas nas rodovias

  O técnico em mecânica, especializado em análises e falhas em máquinas e equipamentos, Edmar Freitas, está no 5º período do curso superior de Administração, mas já desenvolveu uma pesquisa científica muito parecida com a que preocupa os universitários na fase de conclusão do curso: a monografia. Apesar de não levar o nome, o trabalho […]

 
O técnico em mecânica, especializado em análises e falhas em máquinas e equipamentos, Edmar Freitas, está no 5º período do curso superior de Administração, mas já desenvolveu uma pesquisa científica muito parecida com a que preocupa os universitários na fase de conclusão do curso: a monografia. Apesar de não levar o nome, o trabalho intitulado “Queimadas no Brasil: causa real nas rodovias” segue as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e apresenta um estudo teórico e prático que aborda todo o ciclo do fogo.
 
Edmar estuda na Universidade Norte do Paraná (Unopar), polo-Itabira, mas desenvolveu o trabalho de forma independente. Ele afirma que seu conhecimento na área de engenharia de manutenção de máquinas, dentro da Vale, departamento no qual trabalha há 17 anos, foi a inspiração para iniciar o levantamento e interpretação de dados, há cerca de quatro meses.
 
Seu objetivo é disponibilizar a pesquisa a todos os interessados no assunto, sobretudo órgãos ambientais como Ibama, IEF, CREA etc. Nessa quinta-feira, 29 de abril, ele apresentou um resumo da pesquisa aos alunos do curso de gestão ambiental da Unopar, a pedido dos coordenadores da instituição em Itabira, depois que souberam do resultado da pesquisa. O mesmo trabalho foi enviado a doutores professores da Unicamp, de Campinas (SP), e foi solicitado como fonte para outras pesquisas na área.
 
Causas
O autor da pesquisa afirma que há várias hipóteses para justificar as queimadas à beira de BRs, mas nem todas são cientificamente comprovadas. O foco de seu trabalho é a fuligem – pó negro que sai dos escapamentos dos veículos, principalmente caminhões, resultante da queima de combustível. De acordo com Edmar, em subidas e curvas, quando há aumento da aceleração, esta fuligem costuma ser incandescente, o que causa os incêndios, já que no Brasil os escapamentos dos caminhões são para os lados.
 
“Os caminhões americanos, por exemplo, possuem escapamentos para cima, o que evita este tipo de situação. Mas no Brasil, por questões diversas, não há esta possibilidade”, disse, ao afirmar que a solução seria produzir caminhões com descargas para baixo, ao invés de para as laterais.
 
Na conclusão de seu trabalho, Edmar enfatiza: “Com o objetivo de reduzir os focos de queimadas causadas por saída de fuligem incandescente do cano de descarga de caminhões, o primeiro passo seria que todos os caminhões enquadrassem nos quesitos ideais de emissão dos motores, não emitindo fumaça preta carregada de fuligem sólida. Porém isso demandaria tempo e dinheiro (…). Todavia, se todos os caminhões e ônibus tivessem a descarga direcionada para baixo e no centro, a redução a zero de queimadas por essa causa seria garantida”.
 
Clique e confira a pesquisa na íntegra.