“Tem muita adolescente em exploração sexual”, diz representante de comissão contra violência
Campanha é simbolizada pelo laço branco
A última terça-feira, 25 de novembro, marcou o início da contagem dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. A campanha, simbolizada pelo laço branco, mereceu uma cerimônia especial organizada pela Prefeitura e Câmara de Vereadores de Itabira. Antes da reunião ordinária do Legislativo, discursos enfatizaram ações desenvolvidas nessa área no município. Depois, a representante da Comissão de Atenção às Vítimas de Violência Sexual e Doméstica de Itabira, Natércia Aguiar Barbosa, abordou uma faceta perversa dos crimes contra as mulheres: a exploração sexual de adolescentes.
Em entrevista à imprensa, Natércia afirmou que “tem muita adolescente no município que vive em exploração sexual”. Ela explicou que as jovens com menos de 18 anos não podem estar enquadradas na prostituição. “Nós tivemos um número grande de casos de violência sexual a adolescentes, que é também um problema em relação à violência contra a mulher. Não existe a prostituição à mulher menor de 18 anos. Nesse caso, ela está em exploração sexual. E hoje a gente percebe uma gama muito grande de adolescentes que estão nessa prática, e agressores – homens e mulheres – que pagam por esse tipo de atividade”, comentou.
A exploração sexual de crianças e adolescentes é crime hediondo no Brasil, com pena de quatro a dez anos de prisão. Desde 1997, foi criado no país um disque denúncia para informações sobre esse tipo de crime. O telefone, antes, era de responsabilidade de organizações não-governamentais, mas, desde 2003, passou a ficar aos cuidados do Governo Federal. O canal, conhecido por Disque 100, funciona diariamente das 8h às 22h, inclusive nos fins de semana e feriados. As denúncias são mantidas em sigilo.
Neste ano, a campanha de violência contra as mulheres tem foco nos homens. “Porque o homem tem a capacidade de interromper ciclos de violência dentro das famílias. Haja vista que ele, na maioria dos casos, é o próprio agressor”, afirma Natércia. “O que nós percebemos é que as mulheres, muitas vezes, têm dificuldades de sair do local de violência. Então, por isso é que nós temos convidado os homens para participar também desse movimento”, completa.
Campanha
Durante a campanha pela não violência contra as mulheres, serão realizadas intervenções junto a empresas do município, com ações nos ônibus que transportam os funcionários para o trabalho, abordando cerca de 6 mil homens e distribuindo laço branco. O mesmo ocorrerá em bares e locais com predominância masculina.
Também haverá a participação de diversos atores do Sistema de Garantia dos Direitos da Mulher, como a Superintendência da Proteção Social, Comissão de Atenção às Vítimas de Violência Sexual e Doméstica do Município, Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher, Ministério Público e Câmara Municipal.
A mobilização com a comunidade se encerra no dia 9 de dezembro. No dia 10, das 8h às 17h, acontece na SMAS uma capacitação dos profissionais que atuam diretamente no atendimento à violência contra a mulher.