Um trabalho de alunos do Colégio Municipal Didi Andrade, na Vila Santa Rosa, em Itabira (região Central de Minas), que trata de empatia e destaca o problema do bullying, vai levá-los para conhecer o papa Francisco. O prêmio é resultado da participação da instituição de ensino no projeto “Desafio Criativo Escola”.
Concorrendo com mais de 1.500 iniciativas de aproximadamente 60 países, o canal do Youtube #ForadaBolha, criado por alunos do 7° ao 9° do colégio, foi o vencedor do projeto, que é desenvolvido pela organização internacional Design for Change. Ao todo, sete escolas do Brasil foram selecionadas.
O prêmio garante a três alunos do Colégio Municipal Didi Andrade, mais a professora, uma viagem custeada pelo programa à Conferência Mundial da Juventude, no dia 24 de novembro, em Roma, na Itália.
Papa Francisco
Durante oito dias de viagem, os estudantes participarão de atividades com a proposta de conhecer os outros projetos ganhadores e apresentar a sua iniciativa. Além disso, os adolescentes irão participar de uma celebração com o papa Francisco.
Trabalhando a empatia em diferentes cenários, como em situações críticas que envolvem assédio, racismo, machismo e homofobia, o canal foi desenvolvido por sete adolescentes seguindo a orientação da professora de história, Kele Frossard.
Alunos
Thiago Henrique Machado, de 13 anos, Ana Caroliny Patrocínio, também de 13, e Maria Clara Lacerda, de 12, foram os três alunos selecionados para participar do evento internacional e embarcarão para Roma.
Para Thiago, um dos adolescentes com vaga garantida na viagem, participar do projeto é uma oportunidade de mudar o mundo e atuar como agente de transformação.
“Ainda muitas pessoas vão mudar a mente, a realidade por causa do projeto e vão entender que a empatia é se colocar no lugar do outro”, disse o estudante do 8° ano.
A Prefeitura de Itabira disponibilizou carros para levar as famílias dos adolescentes ao aeroporto no dia do embarque. Custos com passaporte, passagem e hospedagem serão pagos com o prêmio.
“Para tudo tem uma primeira vez, e que essa primeira vez seja um gás para que eles continuem sonhando. Sonhar é muito difícil para alunos de escola pública, alunos que não possuem acesso em muita coisa. Incentive os outros. Ganhamos sem as expectativa de ganhar”, disse Kele Frossard
#ForadaBolha
O projeto reúne sete vídeos filmados e produzidos pelos alunos com abordagem de diferentes temas. De acordo com a apresentação da iniciativa, a ideia surgiu a partir da necessidade dos alunos de criarem oportunidades para se expressarem e denunciar práticas de bullying e preconceitos.
Os alunos do projeto entrevistaram cerca de 20 outros estudantes e fizeram o registro escrito das histórias. Baseada nos fatos, a turma produziu novas histórias, que foram narradas e encenadas nas produções do canal, de forma a não expor os entrevistados.
Temas como racismo, abuso, violência doméstica e machismo da invisibilidade foram discutidos nos vídeos de maneira criativa e respeitosa, incentivando o diálogo.
De acordo com a professora e idealizadora do projeto, Kele Frossard, o tema definido foi a empatia por estar dentro da proposta das ODS da ONU, além de condizer com a realidades dos alunos.
“A escuta já uma ajuda, colocar no lugar do outro. Exercitar a empatia é difícil. Ouvir esses relatos é muito importante. Foram entrevistas foram muito interessantes, com relatos sobre estupro, violência, entre outras situações”, disse a professora e idealizadora do projeto.
Rebeca Felíx, também aluna do 8° e integrante do #ForaDaBolha, não irá a Roma, mas tem consigo o sentimento de dever cumprido.
“Vamos continuar com o projeto porque mudamos a nossa forma de pensar e mudamos a forma de pensar de outras pessoas. Temos mais ainda coisas para mudar e isso já vale a pena”, conta a estudante.
Além dos alunos do Colégio Municipal Didi Andrade, únicos representantes de Minas Gerais, os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Amazonas também participaram do evento.

