Tratamento no Centro Oncológico de Itabira ameniza a batalha contra o câncer
Tratamento no Centro Oncológico de Itabira ameniza a batalha contra o câncer
COI oferece assistência a itabiranos e moradores de municípios vizinhos, possibilitando que os pacientes vençam a doença sem o peso adicional das horas de viagem
Por: Rodrigo Andrade/Editor-Adjunto
|
29/09/2019 às 09h00
Liziane Bruna Barcelos, de João Monlevade, com os filhos; ela fez o seu tratamento no COI em Itabira – Fotos Filipe Augusto
O conteúdo continua após o anúncio
Foi durante o período de amamentação do filho caçula Miguel, hoje com 3 anos, que a servidora pública Liziane Bruna Barcelos, 33 anos, percebeu um caroço em uma das mamas. Tinha início ali uma corrida extremamente complicada em busca de um diagnóstico, já que estar amamentando dificultava a percepção do nódulo. Seis meses depois, entre consultas, exames e biópsias, veio o resultado: Liziane fazia parte de um percentual raro de mulheres atingidas pelo câncer durante a amamentação.
As dificuldades para obtenção do diagnóstico tornaram as coisas mais difíceis. O câncer de Liziane já estava em nível dois quando veio a confirmação. De imediato, ela deu início às sessões de quimioterapia. Natural de João Monlevade, a servidora pública percorria mais de 120 quilômetros até Belo Horizonte a cada 21 dias. Foram quatro aplicações até descobrir que o tratamento poderia continuar bem mais perto, no Centro Oncológico de Itabira (COI).
“Para mim, foi infinitamente melhor, por causa da distância. Me ajudou muito. Se eu soubesse antes como era o COI, não tinha nem começado o tratamento em Belo Horizonte. Era um incômodo muito grande, mais de duas horas passando mal na estrada. E agora é tudo bem mais rápido, estou pertinho de casa”, conta a monlevadense.
Atualmente, a servidora pública Liziane Barcelos faz o acompanhamento periódico para certificar que não haja a recidiva do câncer depois de já ter feito a cirurgia de remoção e o tratamento quimioterápico.
COI tem espaço mais amplo e moderno no Hospital Nossa Senhora das Dores
500 aplicações de quiomioterapia realizadas por mês
O alívio de Liziane é compartilhado por centenas de pessoas que recorrem ao COI mensalmente na luta contra os mais diversos tipos de neoplasias. Por mês, o Centro Oncológico de Itabira, instalado nas dependências do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), realiza cerca de 500 aplicações de quimioterapia, entre pacientes do Sistema único de Saúde (SUS), particulares ou saúde suplementar.
O serviço foi criado em Itabira em 2010, sob administração do médico oncologista Marcos Miranda e da hematologista Marielle Pinho. A expansão veio em 2017, quando o HNSD foi finalmente credenciado para oferecer tratamento pelo SUS. A unidade hoje é referência para uma região com cerca de 500 mil pessoas e realiza ainda as cirurgias oncológicas.
“O número é bastante significativo. Isso só é possível pelo fato de Itabira ser uma cidade polo, de características macrorregionais”, comenta o médico Marcos Miranda. “Com isso, conseguimos evitar o deslocamento do paciente. O tratamento contra o câncer, por si só, já é muito desgastante, imagina ainda ter que pegar a estrada por várias horas”, completa Marielle Pinho.
A expansão dos serviços do COI continua com a mudança para uma área mais ampla do HNSD, trazendo mais conforto para os pacientes. O novo espaço funciona desde o fim de julho e permite o aumento do número de atendimentos e quimioterapias. As projeções são de que até 900 aplicações de quimioterapia poderão ser feitas mensalmente.
“Com o aumento da média de vida da população, a tendência é de que essa incidência aumente. Hoje vivemos mais de 74 anos, em média. Cada vez mais as pessoas vão precisar desse tipo de atendimento. Por isso, é extremamente importante você ter um tratamento próximo, na sua cidade ou na mesma região.” Marcos Miranda, oncologista
Casos da doença
Problema que só que cresce
As neoplasias representam a segunda principal causa de mortes no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Mas não vai demorar para que a dianteira desse triste ranking sofra alteração. Estima-se que, até 2029, o câncer seja a enfermidade mais letal no país. Dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (International Agency for Research on Cancer – IARC) apontam que 14 milhões de novos casos são registrados por ano no mundo. Só no Brasil, a projeção é de que 600 mil novos diagnósticos sejam feitos no ano de 2019. A título de comparação, em 2005 esse número era de 467,4 mil, uma diferença de 28% em menos de 15 anos.
Entre as mulheres, o câncer de mama é o de maior incidência e também o mais letal. Somente no ano passado foram 59,7 mil novos casos no Brasil, 29% de todas as neoplasias registradas em pessoas do sexo feminino. Entre os homens, o câncer de próstata é o mais numeroso. Foram mais de 68 mil casos no ano passado (31,7%) em todo país. Mas o tipo que mais mata é o que ataca o pulmão, responsável por 14% dos óbitos relacionados a neoplasias no Brasil. Nesse cenário, o cigarro aparece como o grande vilão: 90% dos casos se originam por causa do tabagismo.
Equipe do COI aposta no atendimento humanizado para amenizar a batalha dos pacientes
DEPOIMENTOS
“Eu tive um linfoma inguinal no lado esquerdo. Fiquei sem chão, pensei muito na família. Mas a partir do momento que iniciei o tratamento, que recebi o carinho que a equipe do COI tem com a gente, fiquei mais tranquilo. No meu caso foi mais tranquilo porque eu respondi bem ao tratamento. Mas tem muita gente que sente mais, que precisa de uma dosagem mais forte. Ir e voltar todo dia de Belo Horizonte é penoso, uma judiação. A estrada é muito ruim, se tem um acidente, fica parado cinco horas com a pessoa passando mal dentro do carro. Quem tem os sintomas, que procure o serviço de Oncologia em Itabira. O atendimento é excelente. Não precisa procurar fora, ir para outras cidades. É cansativo e penoso, e aqui o serviço é de primeira qualidade”. Milton Gomes da Conceição, 70 anos, de Itabira, paciente do COI entre 2013 e 2018
Milton Gomes
“Foi um baque. Parece que furaram um buraco no chão e me jogaram dentro. Mas, graças a Deus, tive muito apoio da minha família e dos meus amigos. O tratamento começou no Viva Vida. Fui encaminhada para o doutor Marcos e plenamente acolhida. Ganhei uma segunda família. A quimioterapia é muito agressiva, te deixa muito debilitada. Tenho dó de algumas pessoas que intercalam a radio com a quimioterapia e precisam ficar em Belo Horizonte. Eu morro de medo. Já passei por um acidente de carro e perdi meu marido. Mas, graças a Deus, tem o tratamento aqui em Itabira para atender toda a região. A luta é muito pesada. Quando você tem apoio, fica mais fácil. Eu tive a força de Deus, da minha família e da equipe do COI. Lá eu encarei o tratamento de outro jeito. Quando assustei, já tinha passado”. Lucinéia de Oliveira Silva, 37 anos, de Itabira, paciente do COI desde 2018
Lucinéia de Oliveira
“Tive um linfoma folicular. Nunca me faltou nada no COI. Tinha cobertor, café quentinho e biscoitinhos. Não faltou gentileza e nem amor, que é o principal. Muitas pessoas têm a mesma reação que eu teria, de não querer viajar toda vez que precisar se medicar. O remédio não é brincadeira. São muitos efeitos colaterais. Itabira tem que conservar o serviço de Oncologia. Essas viagens só enfraquecem as pessoas. Fazer o tratamento em Itabira pode significar ter a vida salva. Eu mesma me considero salva por causa disso”. Ruth Venturini Bersan, 83 anos, de Itabira, paciente do COI desde 2017
Ruth Venturini
“Eu fiquei seis meses até o diagnóstico da doença. Foram vários médicos. No Pronto-Socorro de João Monlevade, um médico, um anjo de Deus, resolveu me abrir. Estava com muito líquido na pelve e ele encaminhou o material para a biópsia. Com 30 dias eu mesmo peguei o resultado. Já fui para o consultório do médico sabendo que estava com câncer no ovário. Por minha conta, vim parar em Itabira. Cheguei ao Pronto-Socorro passando muito mal. Imediatamente, um cirurgião viu meu estado e ligou para o doutor Marcos, que me avaliou ali mesmo. E aí começa a minha história com o COI. Depois de 40 dias da minha cirurgia, meu pai também descobriu um câncer. Foi um baque muito maior daquele que sofri quando soube da minha doença. Para ele, é muito importante fazer o tratamento em Itabira, porque tem câncer no reto e ficar na estrada muito tempo é incômodo. Sinceramente, eu não sei o que seria de mim e do meu pai se tivéssemos que passar por isso tudo e não fosse em Itabira.” Anataly Sabrine Costa Bicudo, 33 anos, de Bela Vista de Minas, paciente do COI desde 2018