Trump critica a ONU, afirma merecer Nobel da Paz, defende tarifas e anuncia encontro com o presidente do Brasil

Em discurso na Assembleia-Geral, presidente dos EUA ironizou falhas na sede da ONU, exaltou feitos de seu governo e elogiou o chefe de Estado brasileiro

Trump critica a ONU, afirma merecer Nobel da Paz, defende tarifas e anuncia encontro com o presidente do Brasil
O presidente Donald Trump é a principal garantia do acordo de paz-Foto: Reprodução/YouTube/CNN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23), para criticar a entidade, exaltar ações de seu governo e sinalizar um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O discurso, que abriu a participação norte-americana na Assembleia-Geral, misturou provocações, elogios e ataques diretos.

“A ONU tem grande, grande potencial. Mas não está nem perto desse potencial”, disse Trump, acusando o órgão de se omitir diante de conflitos internacionais. O republicano afirmou ter encerrado sete guerras envolvendo países como Camboja, Tailândia, Kosovo, Sérvia, Congo, Ruanda, Irã e Paquistão, e defendeu que suas ações deveriam render um Prêmio Nobel da Paz. “É uma pena que eu tive que fazer essas coisas no lugar de as Nações Unidas terem feito”, completou.

Trump ironizou ainda falhas técnicas durante sua participação: “Tudo o que consegui das Nações Unidas foi uma escada rolante que, na subida, parou bem no meio do caminho. Se a primeira-dama não estivesse em ótima forma, teria caído”. Ele também mencionou problemas com o teleprompter usado para exibir seu discurso.

Logo após Lula abrir oficialmente os trabalhos da Assembleia-Geral com críticas aos Estados Unidos, Trump fez questão de elogiá-lo. “Encontrei o líder do Brasil ao entrar aqui e falei com ele. Nos abraçamos. As pessoas não acreditaram nisso. Nós concordamos que devemos nos encontrar na próxima semana”, afirmou, chamando o brasileiro de “homem muito agradável” e dizendo ter tido “química excelente” com ele.

Apesar da aproximação pessoal, o presidente norte-americano defendeu as tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros e acusou o Brasil de práticas comerciais “injustas”. “Fiz isso porque, como presidente, eu defendo a soberania e os direitos de cidadãos americanos”, declarou. Ele também insinuou que o Brasil estaria “indo mal” ao cobrar tarifas altas e usar “o sistema judicial como arma”, mas disse que o país “poderá se dar bem” caso trabalhe junto com Washington.

As declarações reacendem tensões comerciais entre os dois países e colocam o possível encontro entre Trump e Lula, previsto para a próxima semana, no centro das atenções diplomáticas.