Último réu de crime que chocou Ipatinga é condenado a mais de 95 anos de prisão; saiba mais

Sentença do Tribunal do Júri acolheu integralmente teses do Ministério Público em caso de homicídio, sequestro e cárcere privado contra duas mulheres em 2024

Último réu de crime que chocou Ipatinga é condenado a mais de 95 anos de prisão; saiba mais
Foto: Rattankun Thongbun/iStock

O último réu envolvido em um crime que provocou forte comoção social em Ipatinga, no Vale do Aço, foi condenado a 95 anos e quatro meses de prisão após julgamento realizado pelo Tribunal do Júri na última segunda-feira (6). A decisão atende a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontou a participação do homem em crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e furto ocorridos em 2024.

De acordo com o Ministério Público, o julgamento marcou o desfecho do processo criminal envolvendo três acusados pela morte de duas mulheres no município do Vale do Aço. O caso ganhou grande repercussão à época pela violência empregada contra as vítimas.

As investigações conduzidas pelas autoridades indicaram que as duas mulheres foram mantidas em cárcere privado antes de serem assassinadas. Durante o período em que estiveram sob domínio dos criminosos, elas teriam sido submetidas a agressões físicas e violência sexual.

Ainda conforme apurado no processo, as vítimas foram executadas com disparos de arma de fogo de uso restrito em janeiro de 2024.

Reconhecimento das qualificadoras

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público. Com isso, os jurados reconheceram que os homicídios foram cometidos com diversas circunstâncias agravantes previstas na legislação penal.

Entre elas está o motivo torpe, apontado pelos promotores como uma retaliação decorrente de um desentendimento financeiro. Também foram reconhecidos o emprego de meio cruel, o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e a intenção de assegurar a impunidade de outros crimes cometidos pelos autores.

Além dos homicídios qualificados, a sentença também inclui condenações pelos crimes de sequestro, cárcere privado qualificado e furto qualificado.

Segundo o Ministério Público, todos os delitos foram praticados em concurso de pessoas — quando há participação de mais de um autor — e em continuidade delitiva, situação jurídica em que dois ou mais crimes da mesma espécie são cometidos em circunstâncias semelhantes de tempo, modo ou lugar, sendo considerados como desdobramentos de uma mesma conduta criminosa.

Desfecho do caso

O homem julgado nesta semana era o último acusado a responder pelo crime. Os outros dois envolvidos já haviam sido condenados anteriormente pelo Tribunal do Júri, recebendo penas de 86 e 96 anos de reclusão.

Entretanto, ambos morreram no decorrer do processo, antes da conclusão definitiva do caso.

Com a condenação mais recente, o processo relacionado ao crime ocorrido em Ipatinga chega ao fim no âmbito do Tribunal do Júri, consolidando a responsabilização penal dos envolvidos na morte das duas mulheres.