Um amor que demorou 46 anos para desabrochar
Aos 62 anos, Lena começou a namorar seu primeiro pretendente

O ano era 1968. A cidade, Divinolândia de Minas. José Moacir, com 20 anos na época, pediu Lena, 15, em namoro. A moça não aceitou, embora quisesse. Como morava na roça, era recatada e tímida. Tinha receio que os pais seriam contrários à ideia.
Lena sonhava também em terminar os estudos em outra cidade. Então, com 16 anos, mudou-se para Itabira e encontrava com Moacir somente nas férias. A palavra namoro, entretanto, nunca mais foi dita.
Coincidência ou não, Moacir, hoje com 67 anos, trabalhava na empresa de ônibus que fazia a linha para Divinolândia. Quando ia a casa dos pais, Lena, hoje com 62 anos, não tinha outra opção e não ser viajar com o rapaz que um dia foi seu pretendente. Parece que o destino queria os dois juntos.
Algumas décadas depois
Os anos se passaram, Moacir se casou, viveu 44 anos com sua esposa (amiga de Lena, inclusive) e teve 3 filhos. Lena também se casou e teve 3 filhos. “Por eu ser próxima da esposa dele, via Moacir de vez em quando, mas nunca o olhava com segundas intenções. Nem ele a mim”, conta.
Depois de 35 anos de casamento, o marido de Lena faleceu; no ano seguinte, a esposa de José também. “Ele não deixou passar muito tempo e veio me procurar. Me ligava às vezes, me convidou para o aniversário dele. Pouquíssimo tempo depois me pediu em namoro e eu aceitei”, conta.
O namoro começou em junho do ano passado, a princípio por telefone, porque Moacir mora em Belo Horizonte. Em seguida, os dois começaram a se encontrar todo fim de semana. “O amor está ativo entre nós, dando muito certo. Nos falamos por telefone todos os dias e pretendemos morar juntos. Não justifica duas pessoas livres morarem sozinhas. Mas sou muito católica e quero legalizar nossa união”, diz Lena.
O amor é para todos
Lena não acredita em coincidências e muito menos em destino. Para ela, o relacionamento dos dois, após tantos anos, é providência divina. “Quando estamos com alguém, temos que fazer de tudo para dar certo. Eu não me casei para separar, e nem ele. Vivemos nossas vidas sem nunca nos perder de vista, mas agora aconteceu de a gente ficar junto. Acredito que a felicidade está para todo mundo, não só para mim. Basta abrir os olhos”.