Um mês após cobrança de Bernardo Rosa, Prefeitura não indicou terreno para construção de presídio

Demora em definição sobre tema prejudica diversos envolvidos, diz vereador

Um mês após cobrança de Bernardo Rosa, Prefeitura não indicou terreno para construção de presídio
Foto: Gustavo Linhares/DeFato
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Na reunião ordinária do dia 9 de maio, o vereador e ex-secretário municipal de Governo Bernardo Rosa (Avante) apresentou um requerimento à Câmara, cobrando da Prefeitura a relação de terrenos disponíveis para a construção do presídio local. O documento foi aprovado por unanimidade pelo Legislativo. Porém, pouco mais de um mês depois, o advogado, integrante da base governista na Câmara, ainda não obteve respostas.

Nesta segunda-feira (12), Bernardo Rosa afirmou à DeFato que se reunirá com seu substituto na Secretaria de Governo, Danilo Alvarenga, para tratar sobre o assunto nesta semana. Segundo o parlamentar, não há mais espaço para atrasos na situação.

“Essa semana vou conversar com o Danilo Alvarenga para que a gente possa estipular a data certa, já colocar em prática o requerimento aprovado aqui na Câmara no sentido do prefeito indicar (os terrenos). E aí colocar a responsabilidade (de construção do presídio) toda na Vale e no Estado, porque o município teoricamente não teria essa competência, apenas para indicar terreno. Isso não pode demorar mais não”, ressaltou.

Para Bernardo, familiares de presidiários itabiranos e até advogados, classe pela qual respondia enquanto presidente da subseção da OAB em Itabira, são impactados pela falta de uma definição sobre o tema.

“Estão tendo muitos problemas com presos em outras comarcas, a gente está tendo problemas com desvio de pertences, as famílias não estão tendo condições de se deslocar ao local. Alguns presídios são muito distantes, como os de Caratinga e Ponte Nova, são custos muito altos para famílias que geralmente não tem condições financeiras tão elevadas. O advogado também tá perdendo cliente, ele precisa se deslocar muito, aí tem custo do honorário. Sabemos que os presos contratam advogados da cidade onde estão aprisionados, então perdemos clientes aqui. E aí é uma bola de neve, os problemas só vão aumentando”, opina.

Violência

Também questionamos Bernardo sobre possíveis agressões sofridas por itabiranos em presídios de outros municípios, algo relatado por seus familiares. O advogado confirmou as denúncias, mas ponderou que o trabalho de apuração dos casos encontra alguns empecilhos, como o silêncio dos próprios presos.

“A gente tem comunicado de que isso acontece, mas quando vamos aos presídios ou eles não falam por receio de receberem retaliação ou de fato não procede. Tentamos apurar, a gente sabe que ocorre, não podemos tapar o sol com a peneira, mas o difícil é a apuração. Pois eles ficam com receio de retaliação, porque irão permanecer no presídio. E quando tinha (um presídio) aqui perto, nós, da OAB, atuávamos de maneira muito incisiva nessa questão. Íamos todo dia lá, é até mais fácil de diagnosticar e combater quando é aqui. Quando é em outra cidade dependemos de outra subseção”, finaliza.

Nesta segunda-feira (12), a Prefeitura de Itabira foi procurada pela reportagem para se dar sua versão sobre o tema, mas não respondeu ao contato. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.