Não bastasse o caso de racismo ocorrido com Vinícius Júnior na última terça-feira (17), fomos “agraciados” com novos episódios preconceituosos desde então. Entre eles, a declaração vergonhosa do zagueiro Gustavo Marques, do RB Bragantino, que recorreu à misoginia contra a árbitra Daiane Muniz para justificar a incompetência dele e dos seus colegas na derrota por 2 a 1 para o São Paulo.
A repercussão, como se esperava, foi enorme. Muitas vozes não só defenderam a árbitra, como também elogiaram sua grande atuação na partida disputada no sábado (21). Mas estaremos prontos para defendê-la nos dias ruins? Ou seguiremos exigindo de mulheres, negros e outras minorias um comportamento 100% perfeito, sem direito ao erro?
Também pelo Campeonato Paulista, Hugo Souza, do Corinthians, foi vítima de ofensas racistas de torcedores da Portuguesa, eliminada nos pênaltis após grande atuação do goleiro corintiano. Lá fora a situação também foi feia. Só na Premier League foram registrados cerca de seis casos de discriminação racial contra jogadores nas redes sociais.
Casos que só reforçam a percepção geral do futebol como um universo paralelo, no qual tudo é permitido em nome do jogo. Até houve um avanço recente no que diz respeito ao debate, hoje muito mais intenso, mas ainda parece pouco.
Enquanto argentinos, brasileiros ou ingleses se sentirem à vontade para destilar ódio sem constrangimento, precisaremos tratar o jogo não só como esporte, mas um reflexo de uma sociedade em pleno declínio.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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