Único itabirano na elite
O fundista e maratonista Hudson Charles do Nascimento vai começar, ainda este ano, a construção de uma galeria – que ficará no segundo andar de sua casa – para expor as centenas de troféus, medalhas e fotografias que coleciona desde os 18 anos, quando iniciou sua carreira. Apesar de não ser pequena, a residência do […]
O fundista e maratonista Hudson Charles do Nascimento vai começar, ainda este ano, a construção de uma galeria – que ficará no segundo andar de sua casa – para expor as centenas de troféus, medalhas e fotografias que coleciona desde os 18 anos, quando iniciou sua carreira. Apesar de não ser pequena, a residência do atleta já não cabe os símbolos das diversas provas que conquistou em competições nacionais, estaduais e regionais. A estante da sala, as mesas e as paredes da copa parecem decoradas em tons dourados e pratas, em quantidade que nem ele próprio sabe mensurar. Quando parou de contar, tinha uns 110 troféus; hoje deve ter uns 250, sem contar as medalhas que somam mais de 500.
Hudson Charles tem 32 anos, é casado com Rosângela Dias do Nascimento e pai de Rafaela Kelles do Nascimento. A dura rotina diária de trabalhar, treinar e cuidar da família é um desafio, mas não um obstáculo capaz de afastá-lo do esporte. Mesmo dividido entre as responsabilidades, ele se mantém como único atleta profissional de Itabira a integrar o grupo de elite das principais modalidades de corrida. Atualmente o fundista-maratonista está sem equipe, mas já correu pelo Cruzeiro e Cultura Inglesa. A preocupação de Hudson, no momento, é conseguir apoio para conquistar mais títulos.
Falta de patrocínio
Como a maioria dos atletas que sonha em viver do esporte, Hudson Charles sofre com a falta de recursos e de apoio. Diante da realidade, não lhe resta outra opção a não ser tirar do próprio bolso para investir na carreira. “Sempre fico entre os cinco primeiros colocados em provas de nível estadual e nacional. E os atletas que disputam comigo, vivem do esporte, ou seja, não dividem o tempo com o trabalho”, argumenta, dizendo que já exerceu as funções de office-boy e agora trabalha como DJ e promotor de eventos.
Umas empresas itabiranas até ajudam o corredor com uma quantia que somava cerca de R$ 500 mensais. Mas algumas desistiram e Hudson vai ter de buscar outras alternativas se quiser continuar competindo, já que não recebe hoje mais do que R$ 200 por mês de ajuda. “Uso o dinheiro que ganho nas provas para comprar materiais, alimentação e pagar as viagens”, diz.
Persistência
Mas apesar das dificuldades, o sonho do atleta de ser destaque internacional continua vivo. Desde a primeira corrida, em 1998, em que precisou parar duas vezes em cinco quilômetros, a vida do itabirano nunca mais foi a mesma. “Era corrida da Vale e participei sem treinar. Cheguei nas ultimas colocações”, lembra, comparando com os primeiros lugares de hoje.
Com ajuda de treinadores profissionais de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outros estados, a falta de estrutura é superada com determinação e automotivação. Os treinos diários são sintonizados com as temporadas de provas. Se a época é de maratonas, a exigência é maior quanto à resistência. Se a temporada é de corridas rústicas e de percursos menores, a velocidade é mais importante. E assim se sucede a rotina do fundista-maratonista-DJ-promoter Hudson Charles do Nascimento. “Desistir, nunca”.