Três grandes autoridades brasileiras da área de ensino superior discutiram, no auditório do Instituto Tecnológico de Itabira (I.tec), nesta terça-feira, dia 28 de abril, o novo modelo de universidade: o reitor Renato de Aquino Faria Nunes, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), o professor Paulo Tadeu Leite Arantes, da UFV e a professora Lúcia Radler dos Guaranys, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O evento, prestigiado pelo prefeito João Izael Querino Coelho, pelo vice-prefeito Roberto Ferreira Chaves, contou também com a participação de representantes do Sebrae/MG, de secretários e assessores da Prefeitura de Itabira e parte do empresariado local. O tema proposto — Universidade Empreendedora — não teve uma “mesa redonda”, como previsto, mas sete especialistas que concluíram as teorias e propostas mostradas durante o dia.
Para início de programação, na parte da manhã, houve os costumeiros pronunciamentos de boas-vindas dados pelo gerente-geral das Minas da Vale em Itabira, Rodrigo Chaves e pelo prefeito João Izael. Em seguida, Renato de Aquino apresentou o projeto “Universidade Empreendedora”. À tarde, o fechamento do encontro teve a participação também do pró-reitor do Campus de Itabira, Luiz Gonzaga Mariano.
Ao apresentar o projeto Universidade Empreendedora, o reitor Renato de Aquino, depois de afirmar que o Campus de Itabira pretende contratar 45 professores ainda este ano, garantiu que o projeto conceitual, que está sendo preparado para ocupar parte de uma área de 70 hectares, no antigo Distrito Industrial II, fica pronto nos próximos dias. E que, em 2010, 600 alunos deverão ser atendidos no espaço a ser construído pela Prefeitura. Até o final de 2010, a Unifei Itabira, de acordo com o reitor, somará 160 funcionários do corpo administrativo.
“Assim como estamos criando um projeto inovador, o modelo urbanístico de Itabira precisa ser mudado”, disse o reitor a DeFato. Ele foi mais longe e fez um desafio à comunidade organizada itabirana: “Queremos que Itabira transpire a universidade daqui para a frente. Esta é uma necessidade inadiável”.
Aquino se referiu também à tecnópolis: “Continuamos com o pensamento de construir uma universidade mirando o modelo francês, que deu certo. Sophia Antiopolis é um dos exemplos, mas vamos retirar outras experiências também em Viçosa”. Ele afirmou que o projeto dele é transformar a nova cidade em uma Viçosa. “Teremos em torno de dez mil alunos no auge do funcionamento; a universidade empreendedora atrairá uma série de outros instrumentos do progresso, a partir das incubadoras”, disse, otimista, enaltecendo a participação ativa da Prefeitura e da Vale.
PALESTRAS
O professor Paulo Tadeu Leite Arantes apresentou a UFV com uma gama de números que surpreendeu a quase todos os presentes: tem 83 anos de fundação, 58 cursos de graduação, 54 de pós-graduação, 20 de mestrado e doutorado e 14 de mestrado; cerca de 11 mil alunos e 815 professores (dados de 2007).
Paulo Tadeu enfatizou o tema empreendedorismo e mostrou resultados de parcerias da UFV durante o seu novo tempo de transformações, principalmente na criação de empresas como a Agroceres, CPT, Tial, Granjas Resende e Microvet.
Nas suas argumentações para enobrecer a importância do empreendedorismo, fez um paralelo entre a Stanfor University, nos Estados Unidos, e a UFV. Uma informação também interessante: mesmo situando-se em região pobre de Minas Gerais, Zona da Mata, a UFV tornou Viçosa a cidade de maior densidade de mestres e doutores por habitantes do país — 39,6, dados de 2007.
Ao ilustrar o tripé que sustenta uma universidade — Governo (consenso), Universidade (ciência) e Empresa (mercado) — Paulo Tadeu saudou os itabiranos por preencherem integralmente este quesito com as participações da Prefeitura, Unifei e Vale, municiadoras das atividades universitárias na cidade. “Itabira mostra um modelo inédito”, afirmou o professor.
Para ilustrar a necessidade de transformação de todas as universidades em empreendedoras, Paulo Tadeu encerrou a sua fala nesta parte do evento, usando uma frase de autoria do professor Tom Cannon, diretor da Escola de Economia de Manchester, Inglaterra: “Uma universidade que não tenha ou não esteja associada a um parque científico ou tecnológico deixará de ser universidade”.
A palestrante seguinte, professora Lúcia Radler dos Gurananys, utilizou um trabalho seu — dissertação de doutorado — para explicar os seus conceitos sobre o tema em discussão. “Universidade Empreendedora: conceito em evolução, universidade em transformação” é o título desta proposta. Segundo ela própria, a formação do conceito e de seus detalhes é um processo “em andamento”.
A professora estabeleceu um paralelo entre a universidade convencional ou tradicional e a nova proposta de empreendedorismo. “A Universidade Empreendedora precisa integrar suas unidades entre si e, logo a seguir, entrosar-se com empresas e o poder público”, afirmou.
Não ocorreu a prevista “mesa redonda”, anunciada na programação, entre os especialistas que falaram durante do dia. O pró-reitor Luiz Gonzaga, justificando o atraso no andamento dos trabalhos, incluiu os três na mesa — professores Renato Aquino, Lúcia Radler e Paulo Tadeu — denominando a nova formação de “octogonal”, com professores da Unifei e representantes do Sebrae.