Unifei lamenta tragédia em Mariana e diverge de manifestantes em inauguração
Em nota, a UNIFEI lamenta profundamente as consequências da tragédia que tomou conta do município de Mariana
Nessa quarta-feira, 30 de dezembro, a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) divulgou uma nota pública lamentando sobre a tragédia em Mariana e a invasão de manifestantes na inauguração do novo prédio em Itabira. A nota foi redigida pelo reitor da UNIFEI, professor Dagoberto Alves de Almeida e pelo diretor do campus de Itabira, professor Dair de Oliveira.
A solenidade ficou marcada por um protesto contra a mineradora Vale. Pessoas que citavam a tragédia em Mariana fizeram intensa manifestação bem na hora em que o representante da empresa fazia seu discurso. Depois de 15 minutos de barulho e gritos de ordem, o mestre de cerimônia conversou ao pé do ouvido com o reitor da universidade, Dagoberto Alves de Almeida, e foi autorizado a interromper a cerimônia, dando o prédio como inaugurado.
Confira na íntegra a nota pública divulgada pela Unifei:
"A Universidade Federal de Itajubá, UNIFEI, por meio de sua Reitoria, lamenta profundamente as consequências da tragédia que tomou conta do município de Mariana. Tragédia esta que ceifou vidas, destruiu propriedades e comprometeu ecologicamente toda uma região. A UNIFEI entende serem necessárias medidas concretas para que calamidades como essa não mais ocorram, seja por meio de mudanças na legislação que rege a mineração no país, seja pela definição de critérios mais rígidos acerca de medidas preventivas, bem como pela responsabilização dos envolvidos, sejam empresas ou pessoas.
No apagar das luzes de 2015 a UNIFEI se preparou para orgulhosamente inaugurar o segundo de seus prédios no campus de Itabira, MG. Infelizmente não pudemos apresentá-lo às autoridades presentes e ao país visto que manifestantes invadiram a cerimônia. Apesar da relevância de manifestações que evidenciam os aspectos relativos a essa tragédia, essa manifestação em particular mistura fatos diferentes e confunde a opinião pública ao se aproveitarem da presença de um dos parceiros da criação do campus de Itabira, a Vale, para denegrir um evento que é positivo em si mesmo, pois que trata da Educação, no caso especifico, a inauguração de instalações que vão contribuir para a formação de inúmeras gerações de jovens, parte deles como cotistas, oriundos das camadas mais desprovidas da população.
Um dos slogans que se ouvia na manifestação é que “educação não é mercadoria”, que “educação não se vende”. Todavia, na condição de educadores nosso entendimento é que Educação é construção em prol de muitos por parte daqueles que podem e devem fazer algo para que ela, a Educação de qualidade, seja uma realidade cada vez mais presente e robusta em nosso país. É preciso que fique patente que não há na criação do gênio humano construção que mais afete positivamente a vida de incontáveis gerações que a Educação.
De nossa parte não nos foi dada a possibilidade sequer de respeitosamente pedir um minuto de silêncio às vítimas de Bento Rodrigues, o que eu solicitaria quando do meu discurso. Nem nos foi possibilitado tentar na referida cerimônia levar a mensagem de que é fundamental que as várias forças econômicas, políticas e sociais do país se unam em prol daquilo que é verdadeiramente relevante, ou seja, a Educação como efetivo agente de mudança social. Frustrou-se a expectativa de uma manifestação pública em prol da Educação por meio do meritório arranjo entre a Companhia Vale, a Prefeitura Municipal de Itabira e o Governo Federal. De fato, essa formidável Parceria-Público-Privada – PPP, demonstra que o governo não deve ser o único a, efetivamente, se preocupar com os rumos do país, uma vez que ela ilustra o fato de que empresas e instituições têm sim a obrigação de trabalhar conjuntamente em prol da Educação, a única forma concreta de garantirmos desenvolvimento sustentável ao país. No caso específico da Vale parte de sua responsabilidade para com Itabira e região foi retribuída pela aquisição dos equipamentos que equipam os laboratórios construídos pela Prefeitura Municipal de Itabira. Não posso ainda deixar de salientar que essa parceria permite à uma universidade de referência como a UNIFEI ser um efetivo instrumento para a diversificação econômica de Itabira e região. Desta forma, a participação da Vale na referida parceria deixa patente para toda a posteridade que ela está sim colaborando para que Itabira – o seu berço natal – possa estar preparada para garantir sustentação econômica futura à sua população. Somos da expectativa que a Vale deva continuar a fazê-lo para benefício de toda as regiões em que atua. Assim como, temos também a expectativa de que essa parceria possa continuar dando frutos no que tange à construção do campus, o que dependerá de licitação a ser feita pela Prefeitura Municipal. Que parcerias como essa inspirem nossos governantes – federais, estaduais e municipais – assim como aos dirigentes de nossas grandes empresas, a exemplo do que ocorre em países progressistas e; que essa formidável PPP, pelo marco que representa, possa ser um exemplo para outras empresas em prol de nossos jovens e para o engrandecimento de nosso querido Brasil.
Por fim, não há palavras para descrever a dor daqueles que foram afetados por essa calamidade sem precedentes. Que possamos todos, empresas, governo e universidade buscar meios para garantir que esta catástrofe seja uma triste nota na história, sempre lembrada para que situações como essa não mais ocorram. Nós de nossa parte continuaremos a trabalhar com entusiasmo e seriedade para que a UNIFEI possa cumprir seu papel de contribuir efetivamente para o progresso de Itabira, de Minas e do Brasil."