UniFuncesi sedia II Simpósio do Centro Itabirano de Neurociências

Evento foi considerado um sucesso pelos organizadores

UniFuncesi sedia II Simpósio do Centro Itabirano de Neurociências
Foto: Victor Eduardo
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Na última sexta-feira (21), o Centro Itabirano Neurociências (CIN) realizou o II Simpósio Itabirano de Neurociências. Sediado no UniFuncesi, o evento teve como objetivo estimular o pensamento científico na área da saúde no município. A programação contou com palestras, apresentações de trabalhos e homenagens a profissionais do setor.

Estiveram no prédio representantes do setor de saúde itabirano, figuras políticas e membros da comunidade acadêmica do UniFuncesi. É o caso de Lúcia Drummond e Juliana Ferreira, ambas integrantes da “Associação de Doenças Neurológicas”, cujo trabalho foi iniciado em 2012.

“Essa associação veio para ajudar as pessoas que tem essas doenças degenerativas… estamos com um trabalho bem bonito. Isso serve para eles saírem de casa, estarem em grupo e melhorarem, porque se ficar em casa a pessoa fica com depressão, não há muita paciência de quem cuida. Quando eles estão aqui se sentem acolhidos e ficam bem alegres. A gente sempre faz festas, fizemos uma quadrilha recentemente, então sempre fazemos eventos para eles ficarem animados”, explica Lúcia.

Já Juliana Ferreira compara a dificuldade dos participantes da associação ao seu próprio drama. Há um ano e meio, ela sofreu um AVC. Hoje, usa seu exemplo pessoal para estimular e cuidar daqueles que enfrentam a mesma doença:

“Eu tive um AVC há um ano e meio, sem esperar, pois na época tinha apenas 31 anos, era bem nova. E aí o Doutor Tiago(Tiago Alvarenga, organizador do simpósio) me convidou para nos unirmos e criarmos um grupo de doentes de AVC junto com a Associação de Parkinson, para acolhermos as demais pessoas que estão passando por essa situação. É um adoecimento complicado, pois a vida da pessoa muda de uma hora pra outra. Eu era 100% independente, de repente adoeci e mudou tudo. Sofri muito, tive depressão. Mas desde então estou trabalhando na associação, tem me ajudado muito e a ideia é ajudar outras pessoas também”, pontua.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Estudante do nono período de Enfermagem, Deysiane Silva enxerga a participação no simpósio como uma oportunidade de conhecer alguns dos nomes importantes do mercado de trabalho. “Foi uma oportunidade única estar em parceria com o Tiago trazendo atividades para o UniFuncesi, é muito proveitoso para nós. E é o momento de mostrarmos o conhecimento que temos adquirido, pois já já estaremos no mercado de trabalho e são essas pessoas que irão nos receber”, diz.

Ao lado de Deysiane, Maria Vital também apresentou o trabalho sobre cuidados paliativos com pacientes de AVC. Para ela, o simpósio ajuda na construção de “profissionais diferenciados”.

“É importante porque traz para nós visão de futuro, para que sejamos profissionais diferenciados, é isso que queremos. Como enfermeiras, buscamos cuidado e humanização para assistência”, completa.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Saldo positivo

Organizador do II Simpósio do CIN, Tiago Alvarenga faz uma avaliação positiva do evento. “Minha avaliação do simpósio foi muito boa, conseguimos o movimento de vários grupos da sociedade, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas, fonoaudiólogos, professores, membros da política também. Então essa parte foi bem interessante”.

De acordo com o médico, o foco deve ser na prevenção às doenças neurológicas, ao invés de trabalhar apenas o tratamento. Ele cita o AVC como uma das principais preocupações do meio.

“Temos que expandir a discussão neurológica nas esferas de prevenção e investimento em cuidados, pensando que o paciente neurológico é o que gera mais morbidade, as maiores incapacitações do nosso meio são decorrentes de doenças neurológicas. Mais do que tratar, precisamos focar também na prevenção das doenças neurológicas, com foco em AVC e prevenção de quedas, além de cuidados como a epilepsia e dores de cabeça. Porque pacientes que sofrem de forma crônica com enxaquecas, apesar deles não terem muito o absenteísmo, que é faltar ao trabalho, registram um índice de presenteísmo muito forte. Ou seja, elas vão ao trabalho, mas trabalham pior”.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Sobre os palestrantes

Um dos palestrantes do simpósio, o neurologista Victor de Sá falou sobre “Como diferenciar uma crise epiléptica de uma síncope”. Em conversa com a DeFato, o profissional falou sobre alguns dos desafios encontrados na área.

“É muito importante (discutirmos o assunto). Quando falamos de doenças neurológicas, estamos falando de doenças que trazem sequelas importantes para o paciente e que muitas vezes não têm cura. Em alguns casos, esse paciente precisa de um acompanhamento pelo resto da vida. Às vezes é uma especialidade um pouco mais específica, e trazer esses conhecimentos para mais pessoas é importante tanto para evitar algumas doenças, como também saber onde procurar ajuda, trabalhar a reabilitação etc. Estamos falando aqui de cursos de Enfermagem, Fisioterapia. Uma equipe multidisciplinar anda junto com a neurologia, não é possível dissociar”.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Outro a se apresentar no evento, o neurologista Pedro Gabden realizou uma palestra cujo tema foram as perspectivas de tratamento contra o AVC em Itabira. Ele falou sobre a atual realidade do município, que registrou mais de 100 casos da doença nos primeiros quatro meses de 2022.

“Em Itabira, o Doutor Tiago e Doutor Júlio (Lage) tem feito um trabalho de reestruturação das unidades, mas ainda não dispomos de uma linha de cuidados. Os dados do DATASUS mostram que Itabira teve 117 casos de AVC nos primeiros quatro meses do ano, então é uma média de um caso por dia. É uma cidade que tem uma demanda que pode ser suprida por esse projeto, é uma perspectiva nossa de implantar” enfatiza.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Palavra do presidente

Presidente do UniFuncesi, Maurício Mendes ressalta que o simpósio é mais um ato de apoio da instituição de ensino aos seus cursos de Saúde. Segundo ele, o próximo passo poderá ser o sonhado curso de Medicina.

“O estímulo que a gente dá em todos os cursos, especificamente aos de saúde, é total. Tanto que temos apoiado muito esse trabalho do Dr. Tiago com a Associação das pessoas com doenças neurológicas pois ele é excelente para a comunidade é fundamental aos nossos alunos. Com a orientação do Doutor Tiago e outros médicos, e a orientação dos nossos fisioterapeutas com a comunidade acadêmica, damos aos alunos a oportunidade de exercer na prática o que eles aprendem em sala. Então damos total apoio e continuamos torcendo e querendo muito que o sonho de Itabira, o curso de Medicina, venha agregar a nossa área de saúde” diz.

Em primeiro plano, o presidente do UniFuncesi, Maurício Mendes. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Já Alexandre Coelho, diretor executivo do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), considera a integração entre academia e os serviços públicos de Saúde um ganho para Itabira. “Os acadêmicos, professores e mestres contribuem muito na formação dos profissionais e trazem conteúdos, literaturas mais novas. Além do mais, esses eventos fazem com que esses profissionais cheguem aos nossos serviços de saúde mais preparados. É fundamental essa parceria entre a academia e os serviços de saúde da atenção primária, secundária e, no nosso caso, os hospitais”.

Em primeiro plano, o diretor executivo do HNSD, Alexandre Coelho. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Confira, logo abaixo, uma galeria de fotos completa do II Simpósio do Centro Itabirano de Neurociências.