Vale a pena usar FGTS em ações, dizem analistas
A permissão do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os acionistas minoritários participarem da capitalização da Petrobras é um bom negócio, mas não garante que eles mantenham sua atual participação na empresa. Nos últimos quatro anos, apesar da crise econômica que derrubou o preço dos papéis da empresa em 46% […]
A liberação do uso de 30% do saldo do fundo para a aquisição de ações da estatal de petróleo, porém, é limitada à participação de quem já usou o FGTS para comprar os papéis. Além disso, não é garantia de que os minoritários conseguirão manter a sua cota atual de participação na empresa, alertam os analistas de investimento. A expectativa é de que a oferta de ações da Petrobras ao mercado some US$ 50 milhões, o que vai diluir a atual participação dos pequenos acionistas na empresa. “A capitalização vai prejudicar os minoritários de qualquer maneira porque o montante é muito grande. Para manter a cota atual que têm na empresa, pode ser que os trabalhadores tenham que aportar dinheiro do próprio bolso”, acredita Saravalle.
Da mesma forma, Erick Scott, da corretora SLW, acredita que a permissão de uso do FGTS não resolve problema dos minoritários. O saldo total do FGTS poderá sofrer uma baixa de até R$ 2 bilhões com a aprovação. Para ele, isso ainda é pouco diante do montante que deverá envolver a capitalização. “O acionista corre risco de perder participação. Ele terá que aderir à oferta”, confirma. Em outras palavras, os trabalhadores terão que colocar dinheiro do próprio bolso, além da cota do FGTS, caso queiram evitar que sua participação na empresa diminua.
Outro destino
Um dia depois de o plenário da Câmara ter aprovado a emenda que permite a utilização de recursos do FGTS para a capitalização da estatal do petróleo, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o governo é contrário à medida e explicou os motivos.
Segundo ele, em primeiro lugar existem compradores para "as ações da Petrobras no Brasil e no mundo fartamente". Depois, o governo prefere usar os recursos do FGTS para uma aplicação "mais nobre, para saneamento, água potável, e construção de casas populares". Lobão afirmou que o governo entende que essa é uma aplicação "infinitamente" preferencial para o povo do que comprar ações, "o que significa proteger pessoas físicas, ainda que trabalhadores, que vão ganhar dinheiro com a valorização das ações".