Vale garante que barragens de Itabira são seguras

Joaquim Toledo, gerente da Vale, explicou detalhadamente o processo de construção das barragens

Vale garante que barragens de Itabira são seguras
Uma equipe de peso da Vale, composta pelo gerente-geral das minas de Itabira, Fernando Carneiro, engenheiros especialistas e pelo diretor de Ferrosos da Região Sudeste, Antônio Padovezi, participou da uma reunião do Codema nessa quinta-feira, 19 de novembro, para apresentar a situação das barragens no município.
 
De acordo com os representantes da empresa, a comunidade pode ficar tranquila. As barragens são monitoradas constantemente e passam por inspeções a cada 15 dias.
 
Como era de se esperar, as perguntas vieram em grande quantidade. Embora o foco fosse Itabira, o desastre de Mariana também foi bastante questionado. O gerente de execuções de planejamento da Vale, Joaquim Toledo, respondeu boa parte dos questionamentos e explicou também, de maneira bem didática, alguns conceitos básicos.
 
Toledo detalhou todos os componentes de uma barragem: fundação, drenagem interna, aterro/maciço, crista, ombreiras, vertedouro e reservatório. Informou que elas são projetadas com critério, para aguentar chuvas que caem a cada 10 mil anos. Em resposta ao professor Fernando Cunha, o gerente disse que Itabira tem 27 barragens, contando as de grande porte, como a do Pontal e do Itabiruçu, e as pequenas, chamadas de diques de contenção de sedimentos.
 
Tanto o gerente quanto os demais engenheiros que se apresentaram foram enfáticos em dizer que as barragens – boa parte construída na década de 70/80 – foram feitas por empresas de renome, que trabalharam em Itaipu, Belo Monte e outras grandes construções Brasil afora. "Não dá para trabalhar com empresa júnior", declarou o gerente.
 
Inspeções e plano de emergência
Joaquim Toledo comparou as barragens às pessoas, que precisam de check up periodicamente. No caso de Itabira, além da inspeção interna, feita duas vezes por mês, a Vale contrata uma auditoria externa que faz medições uma vez por ano. A última inspeção aconteceu em setembro de 2015 e constatou que as construções estão “saudáveis”.
 
A respeito de um plano de emergência para o caso de um algum acidente, como o ocorrido em Mariana, o representante da Vale concordou que é preciso avançar. Atualmente existe, por força legal, um plano elaborado em parceria com Defesa Civil e outros órgãos. “Mas precisamos discutir melhor a emergência”, reconheceu ele.
 
Dados das principais barragens de Itabira
 
Barragem Itabiruçu
Implantação: 1981
Maciço: aterro compactado
Altura: 68 metros
Comprimento da crista: 758 metros
Capacidade máxima: 230 milhões de m³
 
Barragem Rio de Peixe
Implantação: 1977
Maciço: aterro compactado
Altura: 31 metros
Capacidade máxima: 13,1 milhões de m³
 
Barragem Conceição
Implantação: 1977/81
Maciço: aterro compactado
Altura: 60 metros
Capacidade máxima: 40,6 milhões de m³
 
Barragem Pontal
Implantação: 1972
Maciço: aterro compactado
Altura: 69 metros
Capacidade: 122,5 milhões de m³
 
Cordão Nova Vista
Implantação: 1994
Maciço: mista em aterro compactado
Altura: 17 metros
Capacidade: 4,9 milhões de m³
 
Barragem Santana (água)
Implantação: 1978
Maciço: aterro compactado
Altura: 52,4 metros
Capacidade: 11 milhões de m³