Vendedor de picolés na infância, subcomandante do 26º Batalhão agora é tenente-coronel

Hoje tenente-coronel da PM, Laurito Reis não esquece do passado como vendedor de picolés

Vendedor de picolés na infância, subcomandante do 26º Batalhão agora é tenente-coronel

Um presente de Natal. No dia 25 de dezembro, após 27 anos na Polícia Militar de Minas Gerais, o então major Laurito Reis, subcomandante do 26º Batalhão da PM em Itabira, foi promovido a tenente-coronel. Natural de Serra dos Aimorés (MG), ele está em Itabira desde 2011. “Graças a Deus a gente vem promovendo um trabalho que tem sido reconhecido pelos nossos superiores, o que acabou culminando com a minha promoção. É o resultado de muito esforço”, afirmou.

Para alcançar o posto, todo o trabalho do militar, feito durante os quatro anos em que foi major, passou pela avaliação de uma comissão formada por coronéis da PM em Belo Horizonte. Tudo baseado no mérito. Como a pontuação foi suficiente, Laurito conquistou mais um objetivo em sua carreira profissional.

O começo

Laurito Reis ingressou na PMMG no dia 3 de novembro de 1987, como soldado-aluno, também conhecido como recruta. Em 1988 tornou-se soldado e foi designado para trabalhar em Pirapora, no Norte de Minas. Ele conta que sempre foi companheiro dos livros e aproveitava todos os momentos de folga para estudar. No mesmo ano, fez curso de sargento, foi aprovado, e trabalhou por dois anos em um batalhão de Belo Horizonte.

Entrou para o curso de formação de oficiais em 1992, onde estudou por quatro anos. Em 1995, formou-se aspirante e foi para Unaí, no Noroeste de Minas, onde conquistou a patente de segundo tenente e depois primeiro tenente. Em Ponte Nova, foi a capitão. Trabalhou em seguida nas cidades de Rio Casca e Manhuaçu. Em 2010, ascendeu à patente de major e no ano seguinte chegou a Itabira, onde permanece até hoje.

Daqui a dois anos e dez meses, o tenente-coronel Laurito Reis se aposenta e vai a coronel, a mais alta patente dentro da Polícia Militar. “Vislumbrei o sucesso profissional e particular. Desde pequeno, sempre gostei muito de ler, de conversar com pessoas maduras, e me chamavam atenção as pessoas que obtinham sucesso. Eu procurava tê-las como exemplo”, afirma.

Durante esses anos, teve o prazer de conhecer várias pessoas importantes, como o vice-presidente da República, José Alencar, artistas e autoridades. Mas também esteve em muitas áreas perigosas, controlou rebeliões em presídios e foi alvejado por dois tiros ao salvar um garoto que seria executado por traficantes. A ocorrência aconteceu em 1992, quando Laurito era sargento. Para ele, é uma profissão muito gratificante e dinâmica, apesar dos riscos. “Na carreira militar, você trabalha em prol do próximo, fazendo a segurança dele. Somos preparados para lidar com os marginais e com os cidadãos de bem. As mesmas mãos que estão no aglomerado, na favela, também estão socorrendo mulheres em estado de parto”, exemplifica.

Vendedor de picolé

De família humilde, Laurito conta, emocionado, que começou a trabalhar aos 12 anos vendendo picolés nas ruas de Belo Horizonte. Ao ver outros colegas que também vendiam o produto, insistiu com o pai até que ele lhe comprou uma caixa de isopor. “Toda vez que meu pai chegava do serviço à noite e eu via ele de mãos vazias, ficava triste. E perguntava: ‘Pai, e a caixa?’. Ele respondia, ‘hoje não deu para comprar’”.  

Relembra, com saudade, de quando passava por uma loja na rua Olegário Maciel, em Belo Horizonte, e ficava ‘namorando’ as diversas caixas de isopor, de tamanhos, cores e modelos diferentes. Até que um dia, chegou em casa e se surpreendeu com o presente: seu pai lhe havia comprado a caixa e ele estava pronto para começar a ganhar seu dinheirinho.

De imediato, fez parceria com uma senhora que produzia os picolés e começou a vendê-los. Chegava do colégio e às vezes nem almoçava para aproveitar o horário do almoço dos operários que construíam a garagem de uma empresa de ônibus ali perto. Nos dias bons, vendia mais de uma remessa e voltava a tempo de fazer os deveres da escola. Se sobrasse tempo, brincava com os amigos. Se não, não tinha problema.

Do picolé, Laurito passou a produzir chup-chup e vendê-los. Era um negócio seu, dava mais dinheiro. Vendeu também doces de sua tia até que, com 15 anos, conseguiu o primeiro emprego em uma multinacional como office boy. O salário era melhor e dava para comprar os materiais escolares e ajudar nas despesas de casa.

Aos 17 anos decidiu que seria militar. Prestou concurso público e entrou para a Marinha do Brasil, onde trabalhou em cidades como Vila Velha (ES) e Rio de Janeiro. Mas como bom mineiro, apaixonado por pão de queijo, pediu baixa e voltou para o convívio familiar. Foi então que, com 21 anos, ingressou na Polícia Militar.

Futuro

Nesta sexta-feira, 9 de janeiro, Laurito completa 49 anos. Casado com Jane Ferreira Reis e pai de Davi, está pronto para o próximo desafio. Um oficial do seu posto pode desempenhar várias funções, inclusive comandar batalhão. Se for o que lhe espera, fará com dedicação. De Itabira vai lembrar muitas lembranças boas e experiências positivas. Inclusive da igreja evangélica Assembleia de Deus, da qual é membro e presbítero. Deixará saudades.