Vereador acusa Vale de descartar pneus em barragens e modificar dados da qualidade do ar em Itabira

A Vale foi procurada pela reportagem na última sexta-feira (29), mas até o momento, não enviou nenhum posicionamento sobre as declarações

Vereador acusa Vale de descartar pneus em barragens e modificar dados da qualidade do ar em Itabira
Foto: Guilherme Guerra/DeFato

O presidente da Câmara Municipal de Itabira, Carlos Henrique Silva Filho “Carlin Sacolão Filho” (Solidariedade), afirmou na última quinta-feira (28), que a mineradora Vale já descartou pneus, móveis e eletrônicos dentro de suas barragens, além de ter promovido por diversas vezes a alteração dos dados coletados pelas unidades de monitoramento da qualidade do ar no município. A declaração foi dada durante uma audiência pública realizada no plenário do Legislativo na última quinta-feira (28) para discutir questões relacionadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

Segundo Carlin Filho, os funcionários da empresa eram orientados a dispensar milhares de litros de água sobre os equipamentos de monitoramento nas ocasiões em que os índices estabelecidos eram superados. “Se aquilo [o limite] fosse ultrapassado, a empresa era multada na casa dos seus milhões. Quando isso acontecia, nessa hora a hora, a gente era orientado a pegar o caminhão-pipa, chegar na estação de monitoramento, e “tacar” (sic) água em cima da estação, porque aí o índice baixava e a empresa não tinha o risco de ser multada”, disse o parlamentar, garantindo que se precisar de dez testemunhas aqui, ele as convoca. 

“Essas pilhas de estéril que tem na Vale, eram depósito de pneu que não descartava, mobília que não prestava, eletrônico que não prestava. Jogava lá porque o caminhão fora de estrada entupia tudo de terra. E quem que vai cavar aquilo ali para ver o que está ali debaixo? Até ontem, uma pessoa da Vale falou para mim que aquilo é normal. Normal? A não ser que seja normal para virar petróleo daqui 300 milhões de anos”, afirmou.

Antes de chegar à presidência da Câmara, o parlamentar trabalhou por nove anos na mineradora, período do qual ele considerou como o de maior arrependimento em sua vida. “Eu vi muita coisa, muita coisa, participei também de muita coisa, porque ou eu obedecia, ou eu era demitido. Com duas crianças dentro de casa eu optei por obedecer ordens”, disse o vereador, afirmando que, “diante da pressão e da necessidade, pessoas também se sujeitam a esse ambiente para fazer coisas a favor da empresa, tudo pelo poder econômico”. 

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Sem resposta

A reportagem da DeFato enviou uma solicitação de posicionamento para a Vale a respeito das declarações feitas pelo parlamentar. O pedido foi feito na última sexta-feira (29), no entanto, até o fechamento da matéria nenhum retorno foi obtido. O espaço segue aberto para futuras manifestações.