Vereadores criticam direção da Apac e acusam falta de diálogo: “Intransigentes”
Terreno polêmico: área doada pela União à Apac é motivo de protesto de moradores do Córrego do Meio e dos vereadores de Itabira
O impasse da construção do Centro de Reinserção Social (CRS) da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) na localidade de Córrego do Meio voltou a ser tema de debate na Câmara de Itabira. Durante a reunião dessa terça-feira, 29 de março, os vereadores fizeram duras críticas à direção da entidade e reclamaram da falta de diálogo. “Senti que não querem outra área. Estão intransigentes”, afirmou Geraldo Torrinha (PDT), que recentemente participou de uma reunião na Prefeitura para tratar do assunto.
Bernardo Mucida (PSB) foi o primeiro a tocar no tema. Ele citou a manifestação dos moradores da localidade de Córrego do Meio, que desde a segunda-feira estão em frente ao terreno cedido à Apac, impedindo que funcionários entrem para dar continuidade às obras, e pediu que a direção da entidade se mostre aberta ao diálogo. “A preocupação da comunidade é imensa. Não é possível que uma entidade entre na sua casa e não dialogue”, afirmou. “Nada pode ser enfiado goela abaixo. Fora do diálogo é a guerra, e isso é o que ninguém quer”, completou o socialista.
Lado de Dona Dudu (PMDB) também subiu o tom contra a Apac e citou nominalmente o presidente da associação, Danilo Alvarenga. “O Danilo quer fazer no peito. É preciso que converse com a comunidade. Tenho certeza que, se precisar, nenhum tijolo será colocado naquele local”, exclamou, em certo tom de ameaça. Segundo o peemedebista, todos os vereadores são contra a Apac no terreno do Córrego do Meio. “No que depender da Câmara, a sede deles não será lá”, disparou.
Geraldo Torrinha comentou sobre a reunião realizada na semana passada, no gabinete do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV), em que participaram vereadores, representantes da Prefeitura, moradores do Córrego do Meio e diretores da Apac. O pedetista disse que sentiu nos líderes da associação nenhuma disponibilidade em procurar outro local. “Se o prefeito oferecesse a praça Acrício para eles, diriam não”, afirmou. “O Danilo está intransigente. Quer que seja lá e ponto final”, criticou o vereador.
Todos os vereadores que se manifestaram frisaram que não são contrários ao projeto da Apac e à filosofia que a entidade propõe, mas que não concordam com o local em que é construído o CRS da instituição. Os legisladores concordam que a área é ideal para ser instalado o Parque Científico Tecnológico. “Demoramos muito para nos atentar para a diversificação. Mesmo assim, hoje o nosso melhor projeto é o do Parque e não podemos perder essa oportunidade. É algo que será benéfico para toda cidade”, comentou Toninho da Pedreira (PPS).
“Não há intransigência”
Em uma conversa em um grupo no aplicativo WhatsApp, o presidente da Apac, Danilo Alvarenga, se defendeu dos ataques dos vereadores. O líder da associação afirmou que não é intransigente e que está aberto ao diálogo, mas que a entidade não vai aceitar terrenos que coloquem em risco a filosofia da instituição.
“O problema é que a Apac virou palanque político. Manifestam, brigam, mas não buscam alternativas concretas. Foi falado na reunião que seria oferecido o Real antigo, mas até agora nada de concreto”, escreveu Danilo, que completou: “Não temos amor pelo terreno, mas sim pelo projeto. E para a Apac funcionar, não pode ser em qualquer lugar”.
“A Apac aceita terreno que seja viável e atenda aos requisitos do método. Não é qualquer terreno. Não somos intransigentes, somos responsáveis pelo projeto e pelos recursos que estamos gerindo”, afirmou o presidente da Apac em Itabira.