Vereadores discutem por protagonismo em “horário da rádio”
Zé Mauro e Paulo Soares (fundo) tiveram posicionamento diferente em discussão sobre uso da tribuna na Câmara de Vereadores de Itabira

Uma simples votação de sugestão de inversão de pauta durante a reunião da Câmara de Vereadores de Itabira nessa terça-feira, 2 de junho, expôs uma preocupação dos legisladores: uns estão aparecendo mais que os outros. O ponto principal de discussão é o horário de transmissão das rádios.
É que as últimas reuniões da Câmara têm sido extensas e estão extrapolando o horário regimental, que é 17h. O acordo com as rádios que transmitem os encontros é baseado nesse prazo. Assim, quando há o prolongamento, o que é falado no Legislativo não chega aos ouvintes.
A briga é por causa do uso da tribuna. Nas últimas semanas, o local de destaque tem sido constantemente requisitado por vereadores, mas quase sempre os mesmos. Paulo Soares (PSB), Bernardo Mucida (PSB) e Geraldo Torrinha (PDT) são os que mais se inscrevem. Aí eles pedem a inversão da pauta, para que falem antes da votação dos requerimentos e indicações. Ou seja, quando as votações retornam, já está tarde e não tem ninguém mais ouvindo o rádio.
Nessa terça-feira, Paulo Soares era o único inscrito para usar a tribuna. Como de costume, ele pediu para inverter a pauta, e estranhou quando Rodrigo Diguerê (PV), Zé Mauro (PV) e Palhaço Batatinha (PSDB) votaram contra. “Se vou à tribuna, é por algo sério. Não vou ali para assuntos que não são sérios”, disse Paulo, depois de pedir que o presidente Solimar Silva (SD) repetisse o nome dos colegas que votaram contra a inversão da pauta.
Palhaço Batatinha afirmou que havia um acordo estabelecido para que a tribuna fosse a última ação da pauta do dia. Já Zé Mauro escancarou a real preocupação. “No horário da rádio, são poucos os que falam”, disse. Diguerê comentou que estava seguindo uma combinação que fez com os colegas e que não duvidada da seriedade dos assuntos discutidos por Paulo Soares.
O vereador Geraldo Torrinha (PDT) demonstrou irritação. O oposicionista disse que não foi chamado para acordo nenhum e que, se tivesse, não aceitaria. “Essa Casa precisa respeitar os costumes. Estão tirando nossas prerrogativas e eu não gosto disso”, exclamou. Por fim, o presidente Solimar Silva pediu que alinhamentos para os trâmites da reunião ordinária sejam discutidos internamente.