Vereadores divergem, novamente, sobre emissão de Identidades na Câmara de Monlevade
Delegado regional da Polícia Civil enfatizou que serviço é dever para com o cidadão. “Mas caso o fardo esteja pesado para a Câmara, vamos traçar novo planejamento”, finalizou o delegado
Mais uma vez, o Posto de Identificação da Câmara de João Monlevade é pauta entre os vereadores. O local é onde é prestado o serviço de emissão do documento na cidade. Entre críticas pesadas e vereador denunciando que servidor faz agendamento em horário de serviço, o presidente da Câmara, Leles Pontes (Podemos) deixou claro sua vontade em devolver a emissão à Polícia Civil.
O vereador Tonhão (Cidadania), foi o primeiro a falar. Ele criticou o agendamento feito uma vez por semana, sempre às sextas-feiras. “Conforme convênio, esta Casa tem a responsabilidade na forma de atendimento e a Polícia Civil a responsabilidade de fornecer a cédula e o material para confecção das carteiras de identidade. Sabemos da competência dos servidores, mas é necessário melhorar a forma de agendamento, realizando-os online, dando mais transparência e rapidez. Esperamos que esta casa invista nessa forma de atendimento”, disse.
Tonhão ainda sugeriu que se faça 40 identidades por dia, mediante entregue de senhas presencialmente. “A pessoa liga e não consegue o documento, que é dever do Estado”, enfatizou. Neste momento, Leles endossou. “É dever do Estado. A Câmara colocou para ajudar e o Estado aproveitou e fechou”, disse.
Denúncia
O vereador Toninho Eletricista (Podemos), foi mais enfático que Tonhão. “Se não pode melhorar, piorar não. Essa é a opinião da sociedade. Aumenta a emissão do documento por dia e deixa a sexta livre. Piorou demais um dia só para agendamento”, declarou. O vereador ainda fez uma grave denúncia. “Tem funcionário da Câmara marcando para certas pessoas em horário de serviço. Cada um tem sua obrigação aqui dentro e isso é grave. Aconteceu na minha frente e falo com muita tranquilidade. Temos deficiência na limpeza da Câmara e é preciso que cada um se atenha ao trabalho dentro do Legislativo”, disse Toninho. O presidente, mais uma vez, deixou claro sua vontade em desfazer do serviço. “Se você está reclamando imagina eu Toninho. Todos que vão lá e não conseguem falam para ir para a sala do presidente. É um favor que as autoridades fazem de levar (o serviço). Vai com Deus”, declarou Leles.
Melhorias e diálogo
Outros vereadores foram mais comedidos e se posicionaram a favor das melhorias, mas não ao fechamento do Posto de Identificação na Câmara. Guilherme Nasser (PSDB) pediu diálogo com a Polícia Civil. “Nós enquanto Poder Público, temos que buscar uma forma de ajudar. Gente para jogar pedra tem muito, apesar da dificuldade. Não adianta ser a semana inteira de agendamento e ter uma linha só. A marcação tem que ser online”, opinou. Nasser ainda enfatizo que a pergunta que se deve fazer é como a Câmara pode facilitar a marcação. “Sugiro nova reunião com a Polícia Civil. São 15 vereadores e cada um tem sua força. Somos parceiros nisso, vamos propor solução”, disse.
Belmar Diniz (PT) completou a fala de Guilherme. “O delegado disse que qualquer problema deveria chegar até ele, que não é da Câmara. Também sou favorável ao diálogo”, disse Belmar. Cláudio Cebolinha (PTB) também opinou sobre o assunto. “A dificuldade é em todo o estado, mas sabemos do empenho da Polícia Civil para atender a população. A parceria com a Câmara deu certo, e temos mais é que modernizar. Sabemos que tem dificuldade na ligação, como antigamente tinha a dificuldade de cidadão dormir na fila, de madrugada, para conseguir o documento. Temos é que trabalhar em conjunto, porque é uma necessidade enorme do cidadão”, declarou Cebolinha.
Neste momento, Leles deixou claro que a Câmara presta o serviço cedendo servidores e maquinário, mas que “a carga está muito pesada”. O presidente ainda enfatizou que levando a emissão de identidades para a delegacia, o Legislativo cederia tudo. “Estamos dispostos a melhorar também, tanto que no final do ano autorizei mais servidores para capacitação. Mas o Governo do Estado quer jogar tudo para os municípios”, afirmou Leles.
Delegado questiona posicionamentos

O delegado chefe da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de João Monlevade (4ª DRPC), Paulo Tavares, se posicionou após ser procurado pela reportagem da DeFato. “A Câmara Municipal é do povo, é a mais pura representatividade da vontade popular. Os senhores vereadores têm que entender que são servidores do povo e é a ele que devem prestar contas, trabalhando diuturnamente para o bem estar da coletividade. A emissão de identidades não é favor da Câmara ao Estado ou à Polícia Civil, mas sim um dever para com o cidadão”, explicou. Ainda segundo o delegado, a Polícia Civil não recebeu de nenhum vereador e nem da presidência, após reunião que ocorreu em novembro, pedido formal de devolução do serviço à Polícia Civil ou de fechamento do posto na Câmara.
Paulo Tavares também enfatizou sobre o baixo quantitativo policial. “É notório que temos defasagem de pessoal e que com o serviço de Identidade sendo prestado pela Câmara ao cidadão, nossos investigadores podem se dedicar à elucidação de crimes ao invés de serviços administrativos. Isso é comprovado pela queda no índice de violência em João Monlevade e região. Mas caso o fardo esteja pesado para a Câmara, vamos traçar novo planejamento”, finalizou o delegado.




