Vereadores “encorpam” proetesto contra a Apac e vão em passeata até a Prefeitura
Vereadores seguiram à frente em passeata contra a Apac
O clima esquentou na Câmara de Vereadores de Itabira nesta terça-feira, 16 de fevereiro. Moradores da comunidade do Posto Agropecuário protestaram no plenário contra a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), que obteve autorização judicial para construir sede no local. Uma representante do grupo usou a tribuna, usou palavras fortes e a situação ficou ainda mais quente. Do Legislativo, os moradores seguiram em passeata até a prefeitura, com apoio dos vereadores, e se reuniram com o prefeito Damon Lázaro de Sena (PV).
Não é a primeira vez que os moradores se manifestam na Câmara. Além do Legislativo, eles também já protestaram em uma reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema). A comunidade não quer nem ouvir em ter a Apac como vizinha. “Se continuarem a obra nós vamos invadir. Vamos parar no braço”, ameaçou Águida Aparecida, representante dos moradores que usou a tribuna durante a reunião.
Os moradores querem que o terreno cedido pela União à Apac seja destinado à construção do Parque Científico Tecnológico. A representante reclamou que a Prefeitura não tenha recorrido da liminar concedida pelo juiz Henrique Mendonça Schvartzman em favor da associação. O prazo venceu no dia 5 de fevereiro e foi preciso que a comunidade se reunisse para bancar um advogado. “Fizemos vaquinha para fazer o que a Prefeitura não fez”, criticou.
A maioria dos vereadores presentes no plenário manifestou apoio aos moradores do Posto Agropecuário. Todos os que falaram foram unânimes em ressaltar que não são contra a Apac, mas que é necessário encontrar outro terreno para a sede da entidade. Alguns dos legisladores, como Solimar Silva (SDD), Ilton Magalhães (PR) e Marcela Cristina (PR), informaram que estão em contato com a direção da Vale para disponibilização de alguma área, de preferência próximo ao presídio de Itabira.
Após falas dos opositores Geraldo Torrinha (PDT) e Palhaço Batatinha (PSDB), que criticaram como o governo vem conduzindo a situação, a representante dos moradores chamou os manifestantes para irem até a Prefeitura, falar diretamente com o prefeito Damon. A proposta logo recebeu apoio, inclusive do presidente da Câmara, Rodrigo Diguerê (PV), que encerrou a reunião na mesma hora. “Então vamos”, chamou o pevista.
Passeata
Com faixas, cartazes e muito barulho, os manifestantes seguiram pela avenida Carlos Drummond de Andrade, entraram pela Carlos de Paula e entraram na Prefeitura de Itabira. Vários vereadores seguiram à frente do grupo, segurando uma faixa de protesto contra a Apac. Outros preferiram se reunir aos moradores e aos colegas já no Paço Municipal.
Na Prefeitura, os manifestantes subiram para o terceiro andar, onde se localiza o gabinete do prefeito. Eles foram recebidos pelo subsecretário de Comunicação Social, Flávio Morgan, que pediu que fosse formada uma comissão. Entraram para conversar quatro moradores e todos os vereadores, que foram recebidos pelo secretário de Governo, Ermiton Gomes. A imprensa não teve a passagem permitida.
Em nota distribuída poucas horas depois do encontro, a Prefeitura de Itabira informou que foi marcado um encontro entre os moradores, Ministério Público, Judiciário e direção da Apac, para os próximos dias. Segundo o secretário Ermiton Gomes, o Município já ofereceu outros três terrenos para a entidade e todas foram recusadas.
Da Prefeitura, o grupo seguiu para o Fórum Desembargador Drumond, onde conversaram com o juiz Henrique Schvartzman.