Vereadores querem que Vale pague conta de energia da ETA Rio Tanque em Itabira

Parte dos parlamentares defende que a Vale participe do custeio da operação ou ofereça uma contrapartida capaz de reduzir o impacto financeiro para o município

Vereadores querem que Vale pague conta de energia da ETA Rio Tanque em Itabira
Foto: Divulgação/Saae
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A conta de energia elétrica para colocar em funcionamento a futura Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio Tanque foi tema de discussão na Câmara Municipal de Itabira, na reunião ordinária desta segunda-feira (14). Durante a discussão do Projeto de Lei nº 85/2026, que reorganiza o quadro de cargos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), vereadores questionaram quem deverá arcar com o aumento das despesas provocado pela captação, bombeamento e tratamento da água captada durante os próximos anos.

Com a conclusão do sistema Rio Tanque, Itabira terá capacidade para receber até 600 litros de água por segundo, volume cerca de 50% superior à demanda atual do município. Parte dos parlamentares defende que a Vale participe do custeio da operação ou ofereça uma contrapartida capaz de reduzir o impacto financeiro para o município. 

Durante a sessão, o vereador Bernardo Rosa (PSB) e o presidente Carlos Henrique Silva Filho “Carlin Sacolão Filho” (Solidariedade) questionaram diretamente quem deverá assumir a futura despesa adicional. Para eles, não seria adequado que um eventual aumento de custo decorrente da operação do fosse simplesmente incorporado às despesas do Saae e, futuramente, pudesse chegar à população por meio da tarifa de água.

“A gente sabe que a Vale é responsável pelo rebaixamento do lençol freático, mas a pergunta que eu faço e que a gente precisa fazer é: quem vai pagar essa conta da energia?  Vai ficar para a prefeitura pagar? Vai ficar para os consumidores? Vai ser repassado na conta de água? Como é que vai ficar isso?”, indagou Carlin, colocando a Vale como responsável pela situação. 

A vereadora Jordana Madeira (PDT) também cobrou uma definição, defendendo que o Saae faça um levantamento detalhado do consumo previsto e dos custos da nova estrutura antes do início da operação. A partir desse diagnóstico, segundo ela, o município poderia discutir com a Vale uma forma de reduzir ou compensar a despesa.

Uma alternativa apresentada pela vereadora é a instalação de uma estrutura de geração de energia fotovoltaica para atender – total ou parcialmente – à demanda do sistema, como uma forma de reduzir o custo permanente da operação. Para Jordana, não basta considerar a participação da Vale na construção ou implantação do sistema, também é necessário pensar na sustentabilidade financeira da estrutura.

“A captação foi um investimento, mas a gente precisa agora da energia fotovoltaica para diminuir o custo no bolso de cada cidadão itabirano”, afirmou.

A discussão levou vereadores a defenderem uma reunião entre Câmara, Prefeitura, Saae e Vale para esclarecer como será financiada a operação do Rio Tanque. O vereador Marcelino Guedes (PSB) afirmou que o Legislativo deveria buscar uma resposta formal da mineradora sobre o assunto. Ele disse que a preocupação não se limita à energia elétrica, já que o funcionamento do sistema também envolverá equipamentos que precisarão de manutenção especializada.

O vereador Carlos Henrique, por sua vez, sugeriu que também seja discutida a forma como as fontes de água são utilizadas atualmente pelo município e pela Vale. A ideia é avaliar se uma reorganização dessa utilização poderia contribuir para reduzir custos ou melhorar a eficiência do sistema.

Já o vereador Rodrigo Diguerê (MSB) ponderou que, antes de cobrar uma contrapartida diretamente da Vale, a Câmara deveria ouvir o Saae e a Prefeitura para saber quais negociações já estão em andamento. Segundo ele, embora a preocupação com o aumento da despesa seja concreta, ainda não há uma definição sobre o valor que será acrescentado ao orçamento da autarquia nem sobre quem deverá assumir esse custo.

“É aquela diferença entre preocupação e problema. Nem toda preocupação vai virar um problema. Então, a gente tem uma preocupação hoje, mas o problema, a gente está antecipando algo que pode nem vir a acontecer”, disse. 

Saae ainda estuda impacto na tarifa

Apesar das cobranças, ainda não existe definição de que o custo adicional do “projeto Rio Tanque” será repassado à tarifa de água. Em junho, o diretor-presidente do Saae, Valdeci Luiz Fernandes Júnior, já havia informado que a autarquia estudava o impacto da nova estrutura sobre as despesas operacionais. Segundo ele, seria necessário observar o funcionamento efetivo do sistema antes de calcular o aumento ou a redução dos custos.

Entre as medidas avaliadas pelo Saae estão ajustes nos horários de funcionamento, ações de eficiência energética e a redução ou desativação de estruturas que eventualmente deixem de ser necessárias com a entrada do Rio Tanque. A previsão informada anteriormente pela autarquia era concluir o estudo até o fim de 2026.