Vereadores trocam acusações durante reunião
Sinval Dias colocou em xeque a legislatura do colega Doró da Saúde
A previsão de clima quente na reunião da Câmara de João Monlevade dessa quinta-feira, 8 de setembro, se confirmou. Durante as discussões sobre o número de vagas na Casa para o próximo ano, os ânimos estiveram acirrados, principalmente depois em que um cidadão distribui um manifesto contra a indecisão do Legislativo. No fim, o Projeto de Emenda a Lei Orgânica nem foi votado, porque o vereador Sinval Dias (PSDB) pediu mais análise à matéria.
O clima quente entre vereadores já não é mais novidade na Câmara de João Monlevade. Entretanto, a cada encontro, as acusações têm ficado mais duras, como a ocorrida nessa quinta-feira, envolvendo Sinval Dias e Doró da Saúde (PMN).
Os dois divergiram suas opiniões sobre a postura do construtor Roberto Braga, que distribuiu um texto de sua autoria criticando a indecisão da Câmara Municipal em relação ao número de cadeiras no legislativo (aprovado para 15 e que agora pode ser votado novamente e aprovado, voltando para 10 ou fixado em 11 cadeiras). “Alguns vereadores de João Monlevade parecem estar sendo contaminados pela febre da indecisão, do efeito iô-iô”, escreveu o cidadão.
A consideração feita por Roberto e outras mais contidas no texto “Des engano” deixaram os vereadores irritados, como Zezinho Despachante (PP), Vanderlei Miranda (PR) e Dulcinéia Caldeira (PT). Porém, foi o discurso proferido na tribuna por Doró da Saúde que atiçou os ânimos de vez. “O senhor disse aqui: o que temem? Não tema nada. Se eu tiver que disputar, eu disputo com 10, disputo com 15”, avisou ele ao autor do texto. Para Doró, o autor do texto estaria em campanha.
Já Sinval Dias, se surpreendeu com a atitude do colega. Segundo ele, o parlamentar teria tentado calar a manifestação ordeira. “Essa Casa pode ter mais uma Dulcinéia, mais um Belmar, mais um Guilherme, mais um Sinval. Pessoas que realmente trabalham para o povo, pessoas que apresentam projetos, que estão aqui legislando para o povo que os elegeu. Mas nesta Casa um Doró da vida é muito”, atcaou Sinval, que ainda colocou em xeque a legislatura do colega ao acusá-lo de se aproveitar da saúde para se promover, ser eleito, e não fazer nada para os que votaram nele.
Defesa das acusações
Indignado com o vereador, Doró voltou à tribuna e rebateu as acusações. “O senhor está preocupado porque eu tive mais votos que você, quem não faz nada para o povo é o senhor. O que o senhor faz?”, questionou. “Carreto”, respondeu Sinval prontamente.
“O senhor deveria ter vergonha em dizer isso, que faz carreto para ganhar votos, o povo não te elegeu para isso. Não adianta o senhor ficar vermelho, gritar comigo, pode até sofre um infarto, mas não vai conseguir me intimidar”, disse um irado Doró.
Sinval retornou à tribuna para explicar que a atividade de carretos que exerce ocorre em suas horas vagas. Segundo ele, trabalha para o povo. “Só hoje fiz três denúncias aqui. Apresento projetos, coisas que o senhor não sabe fazer. Você nem de reuniões participa. Você, rapaz, pode até ser uma boa pessoa, mas é um péssimo político”, exclamou Sinval.
Os demais vereadores preferiram não se manifestar sobre o ocorrido.
PDT
O advogado Teotino Damasceno Filho, representante do PDT monlevadense, esteve presente à Câmara para se manifestar sobre a discussão em torno do número de cadeiras no Legislativo. De acordo com ele, retornar para dez vereadores seria ir contra a uma ação totalmente constitucional. “O promotor jurídico desta Casa deu a legitimidade à emenda”, lembrou. Teotino ainda pediu que os vereadores refletissem e não tirassem do povo monlevadense a sua representatividade com o número de 15 parlamentares.
Movimento
Quem também esteve presente à reunião dessa quinta foi Gilliard Ribeiro, membro do movimento “Monlevade quer 10”. O grupo busca recolher assinatura da população para abaixo-assinado que manteria o número de 10 cadeiras no Legislativo. De acordo com Gilliard, já foram recolhidas mais de mil assinaturas, nos principais pontos da cidade como, igrejas, associações, sindicatos e centros comunitários.
“Se houver consenso da Câmara de que haverá 11 vereadores, acredito que devemos ser flexíveis e respeitar. Porque, o que achamos é que a cidade não tem necessidade de ter 15 vereadores”, opinou ele. O movimento enviará à Câmara o abaixo-assinado para que seja criada uma emenda popular.