Vídeo mostra manifestantes invadindo residência presidencial do Sri Lanka

Em meio a forte crise econômica, país asiático vive série de protestos que pedem a renúncia de Gotabaya Rajapaksa

Na manhã dessa sábado (9), as cenas de milhares de manifestantes invadindo a residência presidencial, em Colombo, a capital do Sri Lanka, rodaram o mundo. As imagens impressionam pela grande quantidade de pessoas que participaram do protesto contra o presidente Gotabaya Rajapaksa.

Segundo informações oficiais, ele abandonou a residência oficial minutos antes de o local ser invadido. O chefe de governo é considerado responsável pela crise econômica histórica que vem abalando o país. Em meio a seguidos protestos, a população também cobra a saída do primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe.

Segundo as autoridades, cerca de 20 mil soldados e policiais foram enviados à capital para proteger o presidente. Na sexta-feira (8), a polícia impôs um toque de recolher para tentar dissuadir os manifestantes de irem às ruas. A medida, porém, foi suspensa depois que partidos da oposição, ativistas de direitos humanos e a Ordem dos Advogados do país ameaçaram processar a instituição.

Pior crise econômica

O país asiático passa pela pior crise econômica desde a independência, em 1948. A população sofre com a falta de combustível e remédios, além da inflação recorde. O governo declarou moratória da dívida externa de US$ 51 bilhões e iniciou negociações de resgate com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de um quarto dos 21 milhões de habitantes do Sri Lanka sofrem no momento com escassez de alimentos. O cenário – atribuído à má gestão econômica e à redução do turismo provocada pela pandemia de Covid-19 – envolve cortes sucessivos de energia e longas filas nos postos de gasolina.

Neste sábado, no entanto, pelo menos 42 pessoas ficaram feridas em confrontos com as forças de segurança de Colombo, informaram autoridades de saúde do país, depois que a polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água contra manifestantes, além de disparar tiros ao ar para tentar dispersá-los.

Os protestos exigem que Rajapaksa deixe o cargo que ocupa desde 2019. A família de Gotabaya é uma das mais influentes na política do país. Seu irmão mais velho, o ex-presidente Mahinda Rajapaksa, deixou o cargo de primeiro-ministro em maio após embates entre seus simpatizantes e manifestantes antigoverno, que deixaram três mortos, um deles um deputado, e mais de 150 feridos.

Além dele, três outros membros da família Rajapaksa renunciaram a cargos de alto escalão na época.