Vigilância Epidemiológica passa a considerar casos suspeitos de dengue como positivos
Durante a reunião, os participantes sugeriram diversas medidas contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti em Itabira
Novos dados divulgados nessa terça-feira, 24 de maio, pela Secretaria Municipal de Saúde, através do setor de Vigilância Epidemiológica, mostram que os números de notificações da doença não para de aumentar. Agora, são 2.446 notificações de dengue, sendo 783 positivos e 558 negativos. Também há a existência de um caso de febre chikungunya. Os novos dados foram divulgados durante a reunião do Comitê de Combate à Dengue, que aconteceu no auditório da Prefeitura.
De acordo com o superintendente de Saúde, Roberto Quintão Guerra, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) não realizará mais testes reativos para dengue, pois “torna-se desnecessário gastar material reagente para constatar uma coisa que já é fato”. Dessa forma, 205 notificações que aguardavam o resultado do exame da doença foram indicadas como positivas. “Quem está aguardando resultados, provavelmente eles não virão”, ressaltou Roberto.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 1.102 pessoas apresentam suspeitas de estarem com a doença e aguardam por coletas de amostra de sangue. “Vai ficar indeterminado”, disse o superintendente, citando a extinção dos exames na Funed.
Segundo Roberto Quintão, pela alta epidemia, se as pessoas sentem dor de cabeça ou febre, já associam à dengue. “As pessoas sentem algum desses sintomas e já acham que é dengue. Tivemos mais de 500 casos negativos com testes rápidos na Funed”, ressaltou.
Epidemia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que há epidemia quando um local registra ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes. Nesse sentido, com cerca de 780 confirmações de dengue, o município de Itabira enfrenta uma epidemia da doença. Conforme dados da Secretaria de Saúde do munícipio, no período entre janeiro deste ano até o dia 25 de maio, mais de 2,4 mil suspeições da doença foram informadas à pasta.
A queda nas temperaturas, que começa a ocorrer desde março por causa da chegada do outono, traz a expectativa de um controle maior da dengue. Especialistas afirmam que o clima mais frio contribui para que o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, não se reproduza.
Medidas
Durante a reunião, os participantes sugeriram que a conta de água venha sempre com informações que possam ajudar no combate ao mosquito. De acordo com o superintendente de Saúde, existe uma parceria com o Saae e que mesmo a conta de água sendo uma comunicação pequena, a ação é viável. “Lá é um espaço muito pequeno, é mais um lembrete. Como se fosse ´feliz Natal´, mas com os dizeres: ´cuide da sua caixa d’água”, disse.
Roberto Quintão contou que a Vigilância Epidemiológica se depara constantemente, principalmente em bairros mais afastados do Centro da cidade, com caixas d´água sem tapas e com proliferação da larva do Aedes aegypti. “As agentes de endemia fazem o tratamento e orientam os moradores. Não temos condição de fornecer tampas, mas a orientação é dada”, ressaltou.
Para denunciar locais com suspeitas de focos do mosquito, as pessoas podem entrar em contato com o Disk Dengue, através do telefone (31) 3839-2600.
UBV pesado
Outra medida adotada pela Prefeitura de Itabira é a aplicação do Ultra Volume Baixo (UBV) pesado, uma versão mais forte do tradicional fumacê. O produto químico tem sido lançado pelas ruas dos bairros com maiores índices de infestação desde o início de maio. A aplicação do produto ocorre sempre em dois horários: pela manhã, das 5h às 10h ou à noite, das 17h às 22h.
O veículo equipado é cedido pelo Governo do Estado aos municípios que registram casos superiores a 300 por 100 mil habitantes. O trabalho é semelhante ao fumacê, porém, o produto utilizado no UBV pesado combate as larvas do mosquito Aedes aegypti. No caso do fumacê, o produto elimina apenas os mosquitos. O trabalho está sendo feito em nove bairros que apresentam o maior índice de infestação predial.