Vitória contra o Atlético traduz, em título, o retorno do Cruzeiro ao protagonismo
Raposa contou, mais uma vez, com o poder de decisão de Kaio Jorge para voltar a ser campeão estadual após sete anos
Quem acompanha a coluna regularmente sabe que a expectativa por uma grande decisão de Campeonato Mineiro por aqui era baixa, para não dizer nula. E a profecia se cumpriu. Cruzeiro e Atlético protagonizaram, no domingo (8), um clássico de baixo nível, em todos os sentidos. O gol de Kaio Jorge, aos 14 minutos do segundo tempo, premiou o time que mais buscou e finalmente traduz, em títulos, o retorno da Raposa ao protagonismo no futebol brasileiro.
Aliás, essa é a notícia mais importante. Embora alguns torcedores se recusassem a entender, levantar a taça do Campeonato Mineiro era fundamental para o Cruzeiro. Já está claro que os tempos sombrios ficaram para trás, mas era preciso gritar “É campeão!”, nem que fosse no cara ou coroa. Por isso, Pedro Lourenço acertou em cheio na forma como escolheu tratar a competição.
Embora diga pouco sobre o restante da temporada, o título simboliza o resgate da autoestima de um clube que esteve diante do abismo e foi resgatado por sua gente. A mesma gente que compareceu em peso à Toca da Raposa para dar o último apoio ao time no sábado (7), além de ocupar praticamente todo o setor destinado a ela no Mineirão.
No curto prazo, a conquista oferece um alívio importante para Tite, pelo menos até a próxima quarta-feira (11), quando o Cruzeiro enfrenta o Flamengo. Uma nova vitória, contra um adversário deste porte, viraria a página de vez. Mas um tropeço traria novamente à tona o péssimo início de Brasileirão.
Do lado atleticano, o cenário é preocupante. A hegemonia nos últimos seis anos já foi um grande feito e, em algum momento, terminaria. Mas o desempenho é tenebroso e o elenco, mais uma vez, se comprovou fraquíssimo..
Na ausência de Maycon, Eduardo Domínguez optou por Cissé, atropelado fisicamente pelo adversário nos 12 minutos em que esteve em campo. Lesionado, o meio-campista de Guiné deu lugar a Igor Gomes, dono de uma atuação individual horrorosa e substituído no intervalo.
Bernard e Dudu, reservas nos últimos jogos, iniciaram como titulares e nada fizeram. Alan Minda e Cassierra entraram quando o placar já era adverso e também foram nulos. Em suma, as únicas boas atuações vieram do sistema defensivo, o que não impediu o Atlético de ser, mais uma vez, vazado.
As últimas duas temporadas foram de briga contra o rebaixamento na Série A, e 2026 parece ir para o mesmo caminho. A SAF que prometia títulos e protagonismo à torcida entrega somente vexames.
Por fim, não seria possível finalizar este texto sem falar das terríveis cenas de pancadaria. Uma irresponsabilidade que poderia até ter inflamado os torcedores presentes no Mineirão, o que felizmente não aconteceu. Pelo menos não desta vez.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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