Vitória do PSG sobre o Inter Miami carrega ironia simbólica para a consolidação do projeto francês
Nas belas praias floridenses, Lionel Messi goza de uma tranquila transição para a aposentadoria em um ambiente pouco competitivo. Algo pelo qual a torcida do Paris Saint-Germain não poderia esperar
No último domingo (29), o Paris Saint-Germain (PSG) venceu o Inter Miami por 4 a 0 e garantiu seu lugar nas quartas de final do Mundial de Clubes. Uma goleada esperada dada a diferença técnica, tática e física entre os dois times, mas que carrega um simbolismo importante para o PSG.
Do outro lado, como uma das poucas ameaças reais ao time de Luís Enrique, estava Lionel Messi. O mesmo Messi que há dois anos deixava a maior potência do futebol francês rumo aos Estados Unidos sem deixar saudades.
À época, muitos estranhavam a forma como o argentino, um dos melhores jogadores de todos os tempos, foi praticamente escorraçado pela torcida do PSG. Como ousam tratar com tanto desdém o jogador que todos queriam em seu time?
Faltou levar em conta contextos importantes. Em 2023, completavam-se 12 anos desde que Nasser Al-Khelaifi assumira o comando do clube. A empolgação inicial com o projeto bilionário já havia dado lugar à impaciência com os inúmeros fracassos na busca pelo principal sonho: o título da Champions.
Até então, a filosofia era muito simples: utilizar a inesgotável grana catari para montar times recheados de estrelas. Por outro lado, consequências naturais surgiam, como a falta de encaixes táticos dos times que foram montados e desmontados, as batalhas de egos e, principalmente, a falta de identificação com o clube.
E Lionel Messi caiu nessas armadilhas (ou fez parte delas). Ao lado de Neymar, se viu cobrado pelos torcedores do PSG tanto pela falta de títulos importantes quanto pela postura um tanto blasé dentro e fora do campo.
Para quem achava que o status em torno da dupla os pouparia das críticas, Les Parisiens provaram o contrário. Entre defender as cores do clube, cujo último período de glória havia sido na década de 90, e se entregar completamente aos gostos dos astros sulamericanos, a torcida optou pela primeira alternativa.
Dessa forma, Messi se viu obrigado a deixar Paris sem ter, nem de perto, o mesmo prestígio obtido em Barcelona. Dentro do clube francês, por outro lado, a lição foi dada: era hora de mudar os planos.
Ao invés dos astros internacionais contratados de forma pouco criteriosa, investimentos pontuais em jogadores novos e adaptáveis ao modelo de jogo de um técnico da primeira prateleira europeia. Nuno Mendes, Pacho, Vitinha, João Neves, Kvaratskhelia, Barcola e Doué formaram a base do time capaz de levantar a taça que nem Messi, Neymar e Mbappé, juntos, levantaram.
Neste sábado, assistimos a mais uma prova de força desse conjunto que promete competir em alto nível por muito tempo. Azar do Inter Miami, cuja escolha, desde junho de 2023, seguiu caminho contrário. Nas belas praias floridenses, Lionel Messi goza de uma tranquila transição para a aposentadoria em um ambiente pouco competitivo. Algo pelo qual a torcida do Paris Saint-Germain não poderia esperar.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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