Voluntário revitaliza Cemitério do Cruzeiro e pede ajuda para finalizar obras
Wilson Couto, de 56 anos, diz que cuidar do cemitério é mais que um trabalho, pois o deixa feliz
O Cemitério do Cruzeiro de Itabira está de cara nova. E promete ficar ainda mais “vistoso” e bem cuidado graças ao trabalho voluntário do senhor Wilson Couto, de 56 anos, conhecido carinhosamente como Knor. Wilson é funcionário público municipal e há um ano e cinco meses se dedica em arrumar o cemitério. Sua função na Prefeitura era de fiscal municipal.
Iluminação, decoração, dedetização, capina, pintura, limpeza… São inúmeros os benefícios realizados pelo senhor Wilson. O diretor-presidente da Itaurb, Marcos Maggessi Cotta, doou lixeiras para o cemitério. Tudo saiu do próprio bolso.
A relação do funcionário com o cemitério começou de maneira triste. Há um ano e cinco meses, Wilson perdeu um filho de 23 anos e uma netinha de apenas três meses, que estão enterrados no local. A partir de então, ele teve vontade de cuidar do lugar. “O meu filho odiava coisas sujas. E o cemitério estava muito mal cuidado e sujo”, contou.
Com o tempo, o gosto por cuidar do cemitério foi aumentando. Ao ponto do próprio prefeito da cidade, Damon Lázaro de Sena, reconhecer o trabalho e manter Wilson no local. “Damon disse que eu não precisava voltar na Prefeitura, que eu podia me dedicar ao cemitério, porque estava ficando muito bom o meu serviço”, relembrou.
No total, já foram retirados seis caminhões de entulhos do cemitério. Todos os dias, Wilson abre o cemitério às 6h30 e o fecha no final da tarde. Pelo menos uma vez na semana, o local realiza enterros. “É muito bom receber elogios. Fico muito feliz quando pessoas vão ao cemitério e dizem que ele está ficando bonito. Afinal, o cemitério faz parte da história de Itabira”, disse.

Wilson mostra o túmulo onde está enterrado seu filho e sua netinha de apenas três meses
Cemitério abandonado
Por muitos anos, o Cemitério do Cruzeiro ficou praticamente abandonado. O mato se alastrou, agentes epidemiológicos alertavam sobre o perigo de dengue e presença de animais peçonhentos. Segundo Wilson, o local também servia de abrigo para bandidos. Principalmente quando a antiga Cadeia Pública Municipal funcionava, até 2009. Hoje, a construção, que é de propriedade do governo do estado e sem destinação definida, se encontra praticamente em ruínas. Constantemente, a antiga cadeia é invadida por vândalos e usuários de drogas.

Wilson quer que a antiga Cadeia Municipal, que fica ao lado do cemitério, vire espaço para velórios
A vontade de Wilson é transformar o antigo presídio em uma área para velórios. Normalmente, os velórios das pessoas que são enterradas no Cemitério do Cruzeiro são realizados no Cemitério da Paz, no bairro Água Fresca. “Seria muito bom se os velórios acontecessem aqui, pois além da área abandonada voltar a ser útil, desafogaria o trânsito e facilitaria a vida de muita gente”, salientou.
Em novembro de 2013, como medida protetiva e para futuro tombamento como patrimônio histórico do município, a Prefeitura providenciou o inventário do Cemitério do Cruzeiro, que tem 150 anos de existência.

Cemitério do Cruzeiro antes dos cuidados do senhor Wilson
Como ajudar
Mesmo com os avanços, o local ainda possui muitas coisas para serem arrumadas, como muros e pinturas. Para finalizar as obras, Wilson Couto pede a ajuda da população. Cimento, tintas, objetos para decoração e até mesmo voluntários, como pedreiros e pintores, são muito bem-vindos. Para ajudar, ligue (31) 98899-3129 (Edilson, irmão do Wilson).