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Matéria publicada na edição 261 da Revista DeFato Quanto vale a chance de se eleger deputado, representar a cidade e a região na Assembleia Legislativa de Minas Gerais ou na Câmara Federal? Para a maioria dos candidatos do Médio Piracicaba vale muito e prova disso é a prestação de contas deles. Arrecadações polpudas e despesas […]
Matéria publicada na edição 261 da Revista DeFato
Quanto vale a chance de se eleger deputado, representar a cidade e a região na Assembleia Legislativa de Minas Gerais ou na Câmara Federal? Para a maioria dos candidatos do Médio Piracicaba vale muito e prova disso é a prestação de contas deles. Arrecadações polpudas e despesas na mesma proporção, gastos consideráveis, investimento alto em propaganda e em pessoal. A caça aos votos chega à reta final, quando todo esforço pode significar aquele apoio que faltava para se chegar à eleição.
Para estarem de acordo com a legislação eleitoral, os candidatos precisam apresentar três prestações de conta durante a campanha. A primeira foi no início de agosto e a segunda saiu agora em setembro. Depois das eleições, até 4 de novembro, os postulantes a cargos públicos precisam entregar as contas completas, com discriminação de tudo que recebeu e de onde veio o dinheiro, bem como todos os gastos.
Pela região do Médio Piracicaba, quem mais arrecadou foi o ex-prefeito de Santa Bárbara, Antônio Eduardo Martins (Toninho Timbira). O candidato a deputado federal pelo PSL declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que já arrecadou R$ 520.950,00 para a campanha. Ex-presidente da Associação Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Timbira tem 76% de sua campanha bancada por mineradoras. Cerca de R$ 400 mil vieram de empresas desse ramo.
O ex-prefeito de Itabira e candidato a deputado estadual, João Izael Querino Coelho (PSL), aparece em segundo no ranking da arrecadação. Ele levantou R$ 435.000,00 até o início de setembro para tentar chegar à Assembleia de Minas. Logo após, mas distante nas cifras, aparece Tito Torres, de João Monlevade. Postulante a uma cadeira na ALMG, o filho do ex-deputado Mauri Torres obteve receita de R$ 280.202, 06.
Tito Torres, aliás, encabeça a lista dos que gastaram mais do que arrecadaram. O tucano já investiu na campanha mais de R$ 376 mil. Outros candidatos aparecem no mesmo cenário. O ex-prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos (Nozinho – PDT), arrecadou aproximadamente R$ 252 mil e já empenhou R$ 308,7 mil para tentar ser deputado estadual. Concorrente ao mesmo cargo, a ex-vice-prefeita de Monlevade, Conceição Winter (PPS), levantou R$ 86,3 mil e gastou R$ 138,1 mil.
Campanhas humildes
Na outra ponta estão os candidatos que apostam nas campanhas menos vultosas. O ex-gerente da Caixa Econômica Federal de Itabira, Eduardo Realino (PC do B), foi o que menos arrecadou e o que menos gastou. Levantou R$ 2,5 mil e investiu R$ 150 para conquistar os votos que o levariam a ser deputado estadual.
Candidato a deputado federal, o empresário itabirano Otagildo Simões (PSOL) é o segundo que menos levantou recursos. Trabalhou até setembro com R$ 5.240,00 e gastou R$ 4.768,65. Depois aparece o publicitário Dalton Albuquerque (PEN), que levantou R$ 15 mil e investiu quase tudo: R$ 14.915,00. Ele também tenta ser deputado federal.
As campanhas mais humildes possuem características semelhantes. As doações são pequenas, geralmente dos próprios candidatos e os investimentos em elaboração de materiais e pagamento de pessoal. Há também quem receba doações de candidatos mais abastados do partido. É o caso do padre de João Monlevade, Élson Vital (PT), que para tentar chegar à Assembleia Legislativa recebeu verbas dos candidatos Leonardo Monteiro, Nilmário Miranda e Reginaldo Lopes.
Autossuficiente
Chama atenção a candidatura do empresário de Itabira Adício Dias Soares, o Adílson da Vale Verde (PTN). Postulante a uma cadeira na Câmara Federal, ele tem a campanha baseada na autossufi ciência. Os R$ 250 mil que ele arrecadou para a campanha saíram de seu próprio bolso. Foram dois cheques: um de R$ 100 mil e outro de R$ 150 mil.
Para bancar sozinho a própria campanha, Adilson conta com outra característica peculiar: o patrimônio. Os R$ 12.341.439,63 que declarou à Justiça Eleitoral o coloca entre os dez candidatos a deputado federal mais ricos de Minas Gerais. Para se ter uma ideia, a soma dos bens dos três principais candidatos à Presidência da República não chega nem à metade do montante do empresário.
O próprio Adilson falou sobre isso em um evento político no fim de julho. Para ele, tal discrepância está ligada à transparência. O empresário deu a entender que outros candidatos escondem seus bens e não divulgam tudo o que têm.
Ricos ou pobres, gastadores ou humildes, o fato é que o eleitor precisa analisar muito bem as propostas e a vida de qualquer candidato que lhe peça o voto. É o melhor a se fazer, para não pagar caro pela escolha mal feita.