Campanha da Fraternidade chama população a não deixar que políticos atendam apenas aos “grandes grupos”
A efetividade de políticas públicas voltadas às comunidades é tema da Campanha da Fraternidade em 2019. O período de reflexão proposta pela Igreja Católica foi aberto na manhã deste domingo, 10 de março, em Itabira, com uma missa campal na praça Acrísio Alvarenga. Antes, os participantes fizeram uma caminhada pela região central do município. Nos […]

A efetividade de políticas públicas voltadas às comunidades é tema da Campanha da Fraternidade em 2019. O período de reflexão proposta pela Igreja Católica foi aberto na manhã deste domingo, 10 de março, em Itabira, com uma missa campal na praça Acrísio Alvarenga. Antes, os participantes fizeram uma caminhada pela região central do município. Nos cartazes e faixas e nas falas dos padres, críticas às ações governamentais voltadas a interesses que não sejam o bem comum.
Responsável pela celebração, o padre Flávio Assis, da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, usou a homilia para cobrar dos fiéis maior participação nas decisões que diretamente lhe afetam. O religioso afirmou que de nada adianta a intensidade do período eleitoral se depois o cidadão se torna passivo.
“Nós não podemos imaginar que somente a participação no processo eleitoral é capaz de resolver todas as situações da nossa cidade e do nosso Brasil. Durante o processo eleitoral a gente se envolve, faz campanha e defende. Depois que elegemos os representantes, nós deixamos que eles governem a partir daqueles que têm mais força, dos grandes. E o povo, então, sem se unir, sem se organizar, sem participar de conselhos, é colocado de lado em função dos grandes interesses, das grandes empresas e dos grandes grupos, seja nas pequenas cidades, seja nas maiores”, advertiu o padre.

Antes da missa, o grupo se concentrou no estacionamento do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) e de lá seguiu até a praça Acrísio. A caminhada lembrou a tragédia de Brumadinho e cobrou mais atenção da Vale com as necessidades de Itabira e das cidades onde a empresa atua. As questões ambientais também foram pontuadas.
Para o padre Flávio, tragédias como a registrada em Brumadinho no fim de janeiro são consequências do pensamento exclusivamente voltada para o capital. “Os grupos elegem os representantes e sem a participação popular acabam direcionando as políticas públicas. Ao invés das políticas públicas chegarem, então, até as pessoas que mais necessitam, acabam atendendo aos interesses de poucos”, afirmou.
“As políticas públicas devem chegar às crianças, aos jovens, aos adultos, aos trabalhadores e trabalhadoras. Devem chegar aos idosos. As políticas públicas como bem comum devem fazer com que a vida seja respeitada, valorizada e cuidada. Não só a vida humana, mas também a vida do nosso planeta. Essa criação maravilhosa de Deus que é muito facilmente destruída pelo lucro. Em Brumadinho mais de 300 vidas foram tiradas e pouca coisa ainda foi feita para que se possa tomar consciência e cessar essa destruição. As empresas, as grandes mineradoras, os grandes grupos empresariais são movidos pelo capital. Nós, se não tomarmos consciência, também acabamos pensando que o dinheiro é de fato aquilo que vai garantir a existência de nossa comunidade”, discursou o religioso.

O padre acrescentou que a palavra chave da Campanha da Fraternidade em 2019 é “participação”. Ele defendeu que somente com uma postura mais ativa da sociedade é que as políticas públicas cumprirão o objetivo de melhorar a vida da população, proporcionando saúde, educação, dignidade e diminuindo os índices de violência. Por fim, voltou sua fala para os líderes políticos.
“Os poderes constituídos, o Legislativo e o Executivo, estão a nosso serviço. As ações desses poderes são obrigações, não são nenhuma esmola. É obrigação de prefeitos e vereadores fazerem ações concretas para a comunidade. Eles são sustentados pelos impostos que nós pagamos e têm a obrigação de administrá-los bem em favor do povo”, encerrou.
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