Comerciantes de vários ramos relatam prejuízos com falta de água constante em Itabira

O problema da falta de água, apontado como crônico em Itabira, não afeta apenas residências, o comércio da cidade é claramente prejudicado com a escassez no abastecimento. “Eu trabalhava com 500 litros de por dia. Se não chegasse água, não tinha como atender os clientes. A última vez que fiquei sem abastecimento, foram quatro dias […]

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O problema da falta de água, apontado como crônico em Itabira, não afeta apenas residências, o comércio da cidade é claramente prejudicado com a escassez no abastecimento. “Eu trabalhava com 500 litros de por dia. Se não chegasse água, não tinha como atender os clientes. A última vez que fiquei sem abastecimento, foram quatro dias parado, sem produção”, conta o empresário Romário Felipe Rodrigues Santos, do ramo de estética automotiva. O problema obrigou o empresário a mudar o seu estabelecimento do bairro Praia para o bairro Pará, em Itabira. Romário diz que algo deve ser feito com urgência no município para evitar prejuízos à população.

Com a previsão de solucionar o problema de falta de água em Itabira pelos próximos 30 anos, a Prefeitura Municipal elaborou um plano de abastecimento que prevê a captação de água do rio Tanque. A execução está orçada em R$ 53 milhões e seria viabilizada por meio de uma parceria entre o público-privada (PPP). O projeto da PPP da Água foi encaminhado à Câmara Municipal de Itabira no último dia 8 de março, mas está parado na Comissão de Legislação, Redação e Justiça.

Breno e o pai Antônio sofrem com a falta constante no restaurante da família

Prejuízos

Enquanto isso, os relatos de falta de água se acumulam no município. “Já ficamos três a quatro dias sem água, aí tem que buscar com algum vizinho. Quando isso acontece, a gente lava prato com balde e faz só marmitex para não sujar prato”, conta Breno Bueno Martins Alvarenga, que trabalha com seu pai, Antônio Alvarenga, há seis anos em um restaurante no bairro Praia.

Maria Alves Sá, funcionária de um supermercado no bairro Praia,conta que é necessário buscar água na casa vizinha para o funcionamento da padaria. “A gente só não fica sem fazer pão porque pega água do vizinho”, conta. Segundo Maria Alves, que trabalha há oito anos no supermercado, o problema é antigo e prejudica todos os setores, inclusive a limpeza do supermercado.

 

Impacto

Apesar de não existirem dados precisos relacionados aos impactos da falta de água especificamente no comércio, o presidente da Associação Comercial Industrial de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), Eugênio Müller, afirma que o problema no abastecimento de água, junto à péssima situação da BR-381, que passa por obras de duplicação há anos, são os dois fatores estruturais mais limitantes para a atração instalação de novos empreendimentos no município. “De forma geral, como Itabira convive com o racionamento de água há quase uma década, temos um cenário que impacta negativamente no desenvolvimento da cidade”, completa.

Condomínio

Além do comércio que depende diretamente da água para o funcionamento, grandes condomínios de moradias também são afetados com frequência pela escassez no abastecimento. Marco Aurélio, síndico de um residencial no bairro Praia, não vê a hora de dar uma resposta para os moradores dos 248 apartamentos que enfrentam a falta de água no condomínio. “Já teve inquilino que alugou apartamento, mas rescindiu o contrato  alegando a falta de água como motivo”, contou.