Itabiranos relatam tremor de terra; suspeita recai sobre detonações nas minas da Vale
Um tremor de terra em Itabira foi relatado na tarde desta terça-feira, 2 de abril, por moradores de diversos bairros da cidade. Segundo os relatos, os tremores puderam ser sentidos na Esplanada da Estação, Vila São Joaquim, Alto Pereira e Caminho Novo, dentre outros. Em alguns bairros, os tremores também foram sentidos em outros dias […]

Um tremor de terra em Itabira foi relatado na tarde desta terça-feira, 2 de abril, por moradores de diversos bairros da cidade. Segundo os relatos, os tremores puderam ser sentidos na Esplanada da Estação, Vila São Joaquim, Alto Pereira e Caminho Novo, dentre outros. Em alguns bairros, os tremores também foram sentidos em outros dias desta semana, como no sábado e segunda-feira. A Defesa Civil Municipal informou que recebeu queixas sobre tremores nesta terça-feira, mas que ainda desconhece o motivo.
Nas redes sociais, diversas pessoas relataram o ocorrido e disseram que ficaram assustadas. Há suspeitas de detonações ou atividades atípicas realizadas pela Vale. A mineradora foi procurada para comentar o assunto, porém, até a publicação desta reportagem, não havia se pronunciado. Observatórios sismológicos da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de São Paulo (USP) não registraram o tremor sentido em Itabira. Em 2014, um tremor de terra no município atingiu escala 2.3 de magnitude.
“Tudo balançou”
“Primeiro eu senti medo. Na quinta-feira passada, já havia tido um tremor, por volta de 11h, mas com menos intensidade do que o de hoje. Nesta terça-feira, o chão tremeu muito, paredes, vidraças, tudo balançou. Foi questão de cinco segundos, pouco tempo, mas que trouxe uma sensação muito ruim, de medo, de fragilidade. Deu para perceber que a qualquer hora, qualquer minuto, tudo pode vir abaixo sem a gente saber o porquê. Não houve barulho, somente tremor. Você sentia seu corpo tremer. É uma sensação muito ruim”, comentou Eliana Andrade.
Ela é moradora do bairro Alto Pereira há 53 anos e afirma que nunca sentiu um abalo tão forte quanto o ocorrido hoje. “Sempre houve esses abalos quando têm as explosões com dinamite na Vale, mas hoje foi diferente, foi mais intenso”, ponderou.
Proximidade das minas da Vale
Wanderlane Alvarenga Lopes se mudou recentemente para a Vila São Joaquim, onde mora no segundo andar de um prédio, e tem sentido tremores desde o último sábado, 30 de março. Segundo ela, não é possível escutar nenhum barulho, apenas o tremor. “Esses tremores aconteceram no sábado, segunda e hoje. Geralmente acontece após às 12h. Nesta terça-feira foi mais intenso: o chão tremeu e os móveis balançaram! Deu medo! Acho que foi alguma detonação feita pela Vale”, disse.
Flávio Caldas possui um comércio na Vila São Joaquim e é síndico do prédio onde Wanderlane Lopes mora. Para ele, os tremores foram causados por detonações nas minas da Vale. O bairro é próximo do complexo das Minas do Meio, formado pelas minas de Periquito, Dois Córregos, Onça, Camarinha e Chacrinha. “Estava conversando com uma pessoa na hora e a mesa aqui balançou. Perguntei para a pessoa se ela havia sentido e ela disse que a tela do computador tremeu. Balança Itabira toda. Por isso que dá muitas trincas [nos imóveis]. É complicado, o chão treme mesmo”, declarou Flávio Caldas.
Recomendação da Defesa Civil
A Defesa Civil Municipal recomenda à população que sentiu o tremor que faça contato com o órgão para que o ocorrido possa ser analisado e entendido. Segundo o órgão, quanto mais pessoas relatarem os tremores, mais fácil será o entendimento sobre a situação vivenciada pelos itabiranos. Qualquer situação anormal pode ser comunicada à Defesa Civil pelo telefone 199. A seção também atende nos telefones 3839-2147 e 3839-2391 (plantão).
Cidade teve tremor em 2014
Em novembro de 2014, quando um tremor de terra registrado em Itabira atingiu escala 2.3 de magnitude. Na época, a reportagem de DeFato Online conversou com o professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília, George Sande França. Ele explicou que o abalo de pequenas proporções foi registrado por volta de 3h50 e que sua proporção foi de apenas 2,3. “Era muito pouco, mas as pessoas sentiram por acontecer muito próximo à cidade”, comentou. Em setembro daquele ano um registro apontou um abalo de 3.2 em Itabira, mas não houve repercussão na cidade.