Em dois meses, Saae registra quase 5 mil chamadas para verificar falta de água em Itabira

O abastecimento de água em Itabira é um problema crônico, e os números do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) não mentem. De acordo com dados da autarquia, em dois meses, o SAC do Saae registrou quase 5.000 chamadas para verificar a falta de água em alguma […]

Em dois meses, Saae registra quase 5 mil chamadas para verificar falta de água em Itabira
Foto: Thamires Lopes/DeFato
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O abastecimento de água em Itabira é um problema crônico, e os números do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) não mentem. De acordo com dados da autarquia, em dois meses, o SAC do Saae registrou quase 5.000 chamadas para verificar a falta de água em alguma localidade de Itabira. Uma média de 83 chamadas por dia.

Só em dezembro do ano passado foram registradas 3.160 chamadas. O número corresponde a 60,55% de todas as chamadas recebidas. Em janeiro de 2019, por ser período de férias, esse percentual diminuiu e o Saae recebeu 1.566 reclamações sobre o mesmo tema.

Em alguns bairros, os moradores lidam com o problema quase que diariamente.

Para resolver de vez esse problema, a Prefeitura enviou à Câmara Municipal um projeto de lei que permite ao município celebrar parcerias com entes do setor privado para captar água no Rio Tanque, a PPP da Água. A matéria não deve ser votada amanhã, já que os vereadores pretendem ouvir antes o diretor-presidente do Saae, Leonardo Lopes. Ele confirmou presença na reunião de amanhã. Deve ocupar a tribuna por cerca de 20 minutos para detalhar mais o projeto.

 

Bairro Praia

Heuler Franco é síndico do Condomínio Bem Viver, localizado no bairro Praia. O conjunto habitacional possui nove blocos de apartamentos e 162 moradores. A falta de água, segundo ele, é constante. “Infelizmente, quando tem algum tipo de manutenção [paralisação] no abastecimento de água do Saae, as válvulas de registro da rua são fechadas. Toda a reserva das caixas d’água dos blocos do condomínio são aos poucos esvaziados pelo consumo constante dos moradores”, afirmou.

Quando o fornecimento de água é retomado pela autarquia, os moradores precisam aguardar ainda algum tempo até que as caixas de água alcancem em 100% sua capacidade de reservatório. Além disso, Heuler Franco ressaltou que, na volta do fornecimento, a água chega com cheiro de cloro e coloração bege. O síndico vê com otimismo a proposta de PPP da água.

Bairro Fênix

Vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Fênix, Tiago Camarinha Batista, relembrou o histórico de problemas com o abastecimento de água na região. Em 2016, moradores do Fênix e bairros vizinhos abastecidos pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio de Peixes recebiam em suas casas água com altos índices de ferro e manganês, provenientes de descargas da usina (lavagem de pátio e manutenção) que se apresentam muito turvas e com presença de minério em todo curso.

Ainda hoje, a região sofre com o rodízio no fornecimento de água que vêm de vários locais, mas a qualidade da água melhorou. “Às vezes o Saae fecha o registro à noite e só liga no outro dia. Às vezes, ficamos o dia inteiro sem água. Muitos moradores reclamam que, quando a água começa a chegar, quase que de imediato, acaba. Minha caixa de água é pequena, então sofro mais com os problemas no abastecimento”, comentou Tiago Camarinha.

Sobre a PPP da Água, o líder comunitário recorda que esta é uma “promessa antiga” e demonstra preocupação sobre um possível aumento da tarifa pelo serviço. “Tem muito tempo que o pessoal fala sobre isso, mas se for pra melhorar é bacana”, disse Tiago Camarinha.