“Estamos vivendo um momento muito positivo e que continuará em 2020”, estima presidente da Federaminas
Presidente da Federaminas, Emílio Parolini, mostra otimismo para o setor empresarial e estimula a prática do associativismo
Otimismo é a palavra que descreve a análise do presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais (Federaminas), Emílio Parolini, sobre a reta final de 2019 e o início de 2020 do meio empresarial no país. Segundo ele, medidas adotadas pelo governo federal, aliadas às boas práticas de gestão, poderão impulsionar de vez o setor comercial e garantir não só vendas satisfatórias no Natal, mas um próximo ano de bons resultados.
Administrador de empresas pós-graduação como agente de Desenvolvimento Cooperativista, Parolini é presidente da Federaminas desde 2014. Está em seu segundo mandato na entidade que reúne mais de 300 associações comerciais em Minas Gerais. Natural de Araxá, onde é proprietário de uma empresa no ramo de panificação, é figura carimbada nos diversos eventos realizados pelas entidades lojistas em Itabira e região.
Na entrevista a seguir, Emílio Parolini faz uma análise do atual momento do setor lojista/empresarial e traça perspectivas para o futuro. Também dá dicas para alavancar os negócios e defende o associativismo como uma das fórmulas de crescimento. Leia!
A Federaminas sente que o Natal deste ano será melhor que o último? Quais as expectativas para a data?
Este ano realmente está sendo um ano bem melhor que o passado, pelo próprio clima que estamos vivendo com o cenário nacional. As expectativas são as melhores com relação a nossa economia em função das medidas que o Governo Federal tem adotado. Podemos citar como exemplo as medidas da Liberdade Econômica, que facilitam a vida do empresário. Essa ansiedade positiva faz com que a classe empresarial invista mais. Outra coisa que podemos destacar também é a baixa de juros, que tem contribuído de sobremaneira para este cenário. Por tudo isso, acredito que as coisas vão continuar fluindo bem melhor que em cenários passados.
O senhor demonstra muito otimismo. Essa perspectiva de melhora pode se realizar em curto prazo?
Eu acredito que o comércio está crescendo. Os negócios, independente do segmento, estão evoluindo principalmente com as medidas do governo. A indústria da construção civil tem investido bastante e por isso gerado negócios para o comércio. Existe hoje um acúmulo de capital que está parado e, a curto passo, esse dinheiro será injetado no mercado. Tenho certeza que, para 2020, a perspectiva de crescimento ultrapassará todas as metas do governo, principalmente no que se diz respeito à classe empresarial.
O estado de Minas Gerais, por exemplo, passa por grandes dificuldades financeiras. Quais os rumos que os setores lojista e empresarial devem tomar?
São várias as medidas que a classe empresarial deve adotar. Primeiramente, posso citar a preocupação com a inovação em seu mercado de atuação. Os empresários devem estudar esse mercado a fundo. Isso é muito oportuno no momento em que devemos estar conectados com as vias tecnológicas que ele nos oferece. Hoje, é fundamental o uso da tecnologia em prol de nossos negócios: a criação de um site, a adoção do e-commerce para a possibilidade de venda pela internet, além o uso de mídias sociais para fomentar essa venda.
Outro ponto muito importante é que a empresa esteja filiada a uma associação comercial, que está aí para lutar pelos direitos dos empresários, proporcionando, além de tudo, a capacitação profissional de seus colaboradores e diversas vantagens ao associado. Também é fundamental que nós, empresários, não fiquemos dependendo de verba pública para desenvolvermos o nosso negócio, apesar dela ser de extrema importância. Nós é que temos que pensar a nossa empresa.
Quais as dicas da Federaminas para o comércio atrair o consumidor e garantir boas vendas neste Natal?
Investir em redes sociais, que é uma ferramenta de extrema importância hoje neste mundo globalizado. Outra dica é fazer uma bonita vitrine em seu negócio para atrair os consumidores, lógico que dependendo de seu ramo de atuação. E o mais importante, na minha opinião, é que o empresário promova um contato direto com o consumidor de uma forma criativa e objetiva.
Sabemos que o desenvolvimento econômico passa pela diversificação da base econômica do Estado, como viabilizar isso por meio do empreendedorismo?
Volto a destacar o uso da tecnologia. Um exemplo disso são as startups, que possuem várias ferramentas úteis aos empresários de qualquer segmento, ao setor público e mesmo ao consumidor final. Nosso ambiente econômico está bem dinâmico e o empresário deve estar atualizado. Tanto no setor da mineração, da indústria ou comércio. O empreendedorismo só vai acontecer quando o empresário estiver filiado a alguma instituição, neste caso a uma associação comercial, para ter acesso aos benefícios disponibilizados, por exemplo, pelo Sebrae. São inúmeros benefícios que facilitam o empreender e como investir em seu negócio.
O setor do comércio é o que mais gera emprego, respondendo por 62% do PIB de Minas Gerais. Qual a projeção para as contratações temporárias em 2019?
A projeção para contratações temporárias em 2019 é muito positiva. Ela vem ocorrendo de uma maneira gradativa, mas existem vários empreendedores que estão gerindo seu próprio negócio em micro e pequenas empresas. Ao mesmo tempo em que o número de contratações temporárias cresce devido às empresas normais, os micro-empresários estão empreendendo de sua maneira, ou seja, todos estão crescendo e o mercado só tem a ganhar com isso.
A questão do atendimento é uma das grandes críticas dos consumidores. O quanto atender bem o cliente pode influenciar nas vendas?
Sem dúvida nenhuma o grande gargalo que existe no mercado hoje é a questão do atendimento, seja quando falamos do pequeno comércio, onde geralmente o empresário possui três ou quatro colaboradores, ou das grandes empresas que possuem em seu quadro mais de 150 funcionários. O bom atendimento necessariamente passa pela capacitação desses colaboradores, que pode vir através de parcerias, seja com o Sebrae, ou mesmo com as diversas associações comerciais. Essas instituições possuem várias ferramentas para isso, como palestras, consultoria e treinamentos. Podemos exemplificar a Mastermind que possui todas essas ferramentas para capacitação de funcionários ou mesmo empresários.
Por fim, há algo que gostaria de pontuar e que não foi questionado?
O que eu tenho sempre falado é que estamos vivendo um momento de crescimento muito positivo em 2019. E este crescimento continuará no ano de 2020. Ele será além do que o próprio governo imagina. Mas a nossa busca é com relação ao desenvolvimento local. Quem vai pensar por Araxá, por exemplo, não é Belo Horizonte e nem Brasília, e sim os próprios araxaenses. Por isso, os empresários devem participar efetivamente dessa busca, com ações voltadas para a própria sociedade e também participando de entidades voltadas para seu negócio, por exemplo, as associações comerciais.
O papel de uma associação comercial é o de representar as empresas e seus gestores nessa busca para o desenvolvimento. Da mesma maneira, não devemos, quando falamos de empresas de mesmo segmento, pensar em concorrência e sim em uma união para que todos os processos que travam o desenvolvimento ocorram com uma maior facilidade, gerando crescimento local. Isso se chama associativismo. Palavra chave para uma sociedade justa e próspera. Tenho certeza que o envolvimento dos empresários no cenário político virá para concretizar a possibilidade desse desenvolvimento local. Entidades e poder público devem andar lado a lado com a classe empresarial e sociedade civil para inovar e gerar o crescimento da economia.