Brasileiros são forçados a empreender na pandemia
De janeiro até maio, o número de microempreendedores individuais (MEIs) formalmente registrados em Minas Gerais cresceu 20%
Muitos brasileiros têm como principal sonho abrir o próprio empreendimento. Com o gigantesco nível de desemprego gerado pela pandemia, muitos estão realizando esse desejo. No entanto, a realização não chega da maneira como sonharam, com planejamento e investimento, mas sim de modo emergencial, na tentativa de superar a crise financeira que se agrava no país.
De janeiro até maio, o número de microempreendedores individuais (MEIs) formalmente registrados em Minas Gerais cresceu 20%. O registro como MEI é a maneira mais simples para os trabalhadores informais se legalizarem. Com o cadastro e um pagamento mensal, eles passam a contar com benefícios trabalhistas.
Em todo o Brasil, foram 327 mil novos MEIs do início da pandemia até junho. Historicamente, este movimento rumo aos próprios negócios é característicos de momentos de crise, surgindo como uma salvação em períodos de necessidade.
Na primeira quinzena de junho deste ano, o número de pedidos de seguro-desemprego foi 35% maior do que no mesmo período do ano passado. Devido ao alto número de desempregados, a expectativa do SEBRAE é que 25% dos brasileiros com idade para trabalhar tentem abrir o próprio negócio.
O setor de alimentação é um dos mais procurados pelos novos empreendedores. Com diversas facilidades, como a ampla divulgação em redes sociais e plataformas de entrega que conectam aos consumidores, milhares de brasileiros passaram a cozinhar em casa e vender as refeições pela internet. A demanda por delivery, gerada pelo isolamento social, também colaborou nesta consolidação.
Outro segmento que vem atraindo muitos olhares é o de marcenaria. Passando mais tempo em casa, as pessoas perceberam novas necessidades mobiliárias, que passam muito pela adaptação ao trabalho e estudo em casa. A venda de móveis aumentou e muitos desempregados enxergaram esta possibilidade. Prova disso é a procura por ferramentas para marcenaria na internet: as buscas por serra circular mais que dobraram de janeiro para maio.
Novas demandas geradas pela pandemia também estão em alta. Uma delas é a criação de conteúdo online, já que o consumo desses materiais cresceu consideravelmente durante o isolamento social. Com isso, surgiram plataformas para a venda e divulgação de aulas variadas, com temáticas que variam de treinamento físico até ensino de idiomas.
Além do surgimento destes novos pequenos negócios, os que já existiam antes da pandemia estão precisando se adaptar aos novos tempos: a transição digital se tornou praticamente obrigatória. Com isso, o bom uso da internet, principalmente das redes sociais, virou a salvação para os empreendimentos.
A tendência de consumo responsável da população vem ajudando a sustentar os novos e antigos negócios. Diversas campanhas vêm estimulando a compra dos pequenos, sustentadas pelo senso de cooperação e localidade que foi muito reforçado com a crise gerada pela Covid-19.




