Ditador bielorusso manda interceptar avião e prender jornalista crítico ao seu regime
O jornalista Romam Protasevich é responsável por divulgar protestos que eclodiram em Belarus após eleições fraudulentas que mantiveram Lukashenko no poder
Convenhamos: já não é novidade o fato de que ditadura e liberdade de imprensa são antagônicas e não conseguem coexistir. Porém, o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, que carrega a alcunha de último ditador da Europa, mostrou que está em outro patamar no assunto perseguição a jornalista. No último domingo (23), enviou um caça para interceptar um voo comercial da empresa RyanAir, que sobrevoava o espaço aéreo bielorusso, para retirar à força do avião um profissional da imprensa crítico ao seu regime.
Para justificar a ação, Alexander Lukashenko alegou que o voo da RyanAir estava sob ameaça de uma bomba. Assim, mandou um caça para escoltar a aeronave até um aeroporto em Minsk, onde fez um pouso de emergência — o destino final do avião era em Vilnius, na Lituânia. A manobra, porém, tinha como objetivo sequestrar jornalista Romam Protasevich, ex-editor dos canais do Telegram Nexta e Nexta Live, responsável por divulgar os protestos que eclodiram em Belarus após eleições fraudulentas, em agosto de 2020, que mantiveram Lukashenko no poder.
Dos 100 passageiros que estavam no voo, apenas Romam Protasevich foi retirado. O jornalista estava exilado e retornava de um compromisso profissional em Atenas, na Grécia, onde acompanhou uma visita de Sviatlana Tsikhanouskaya, líder da oposição em Belarus — ela chegou a disputar as últimas eleições contra Lukashenko, mas, após a derrota, foi obrigada a fugir para a Lituânia.
Ao perceber a manobra para prendê-lo, Protasevich relatou a um passageiro: “aqui me espera a pena de morte”.
Países europeus orientam companhias aéreas a evitar Belarus
Autoridades de aviação europeias orientaram, nesta segunda-feira (24), as companhias aéreas que trafegam pela União Europeia a evitar o espaço aéreo de Belarus, depois de o governo de Alexander Lukashenko interceptar um avião da RyanAir, que ia da Grécia para a Lituânia, para prender o jornalista Romam Protasevich, crítico ao regime.
A União Europeia ainda estuda a aplicação de sanções contra a ex-república soviética.
O governo britânico orientou sua agência de aviação civil a evitar o espaço aéreo de Belarus. Medidas similares foram tomadas por Letônia e Lituânia, dois países vizinhos à ex-república soviética que abrigam dissidentes do regime.
A Eurocontrol, a agência de tráfego aéreo da União Europeia, informou que está trabalhando com as companhias aéreas que viajam pelo leste europeu para evitar voar sobre o país. Entre as possíveis sanções, autoridades europeias estudam banir a Belavia, a companhia aérea estatal de Belarus, de trafegar pela União Europeia.
Dura reação internacional
A pressão internacional contra Lukashenko aumentou ao longo do dia. O secretário de Estado americano Antony Blinken chamou o episódio de ultrajante e pediu a libertação de Pratasevich. Em Bruxelas, a Comissão Europeia convocou o embaixador bielorusso e condenou a apreensão do avião. Já o premiê checo Andrej Babis chamou a retenção do avião de “terrorismo estatal”. O CEO da RyanAir, Michel O’Leary, classificou o episódio como “pirataria estatal”.




