Famosa grife mineira é investigada por fraude milionária e lavagem de dinheiro
Empresários, diretores e funcionários da Skazi, marca de roupas femininas, são alvos da investigação
Na manhã dessa terça-feira (22), uma força-tarefa do Ministério Público de Minas Gerais, Receita Estadual e Polícia Civil cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Nova Lima. Os alvos foram empresários, diretores e funcionários da grife de roupas femininas Skazi.
Conhecida no Brasil e no exterior, a grife é popular entre influenciadores e artistas e tem quase um milhão de seguidores nas redes sociais. A média de preço de um vestido vendido na loja é de cerca de R$ 3500,00. À frente da operação denominada “Ponto sem nó”, o Ministério Público explicou que as fraudes investigadas consistiriam na venda de mercadorias sem a emissão de nota fiscal.
Ainda segundo o Ministério Público, os investigados estão envolvidos em um esquema estruturado e contínuo de sonegação de ICMS na comercialização de roupas e acessórios de luxo. Esse tipo de ação resultou em um prejuízo milionário aos cofres públicos. O valor desse prejuízo não foi divulgado pelo Ministério Público.
“Chamou a atenção da receita a questão deles estarem no Simples Nacional. Só vocês terem uma ideia, o mercado da moda, Belo Horizonte é um polo da moda, né? E esse mercado movimento por ano algo como R$1,7 bilhão de reais. Aí chamou a atenção o recolhimento da empresa. No Simples Nacional, eles não estavam recolhendo a altura do porte”, contou o auditor fiscal e coordenador da operação, Francisco Lara.
Detalhes do esquema
O Ministério Público detalhou a forma como o grupo agia. “Propositadamente, o grupo organizou-se de modo fragmentado em pequenas empresas, algumas em nome de ‘laranjas’, com o objetivo de enquadramento simulado no Simples nacional. Dessa forma, os investigados se beneficiariam da diminuição ilícita de tributos devidos”.
Estas pequenas empresas estavam em nome de parentes e funcionários de Vander Martins e Ana Paola Murta, diretores da grife. Uma delas foi registrada em nome de uma empregada doméstica do casal. “Até agora a gente já recolheu alguns documentos, computadores e celulares a serem analisados. Mas, o objetivo maior, além da configuração de patrimônio, também é a venda desacobertada de mercadorias”, disse a delegada Karla Hermont.
Além de crimes tributários, os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O Ministério Público ainda disse que a Skazi, em meados de 2019, foi adquirida por um grupo que administra outras grifes famosas nacionalmente, a catarinense AMC Têxtil.
Apesar disso, Wander e Ana Paola continuaram no comando dos negócios em Minas. A investigação ainda apura se a AMC tinha conhecimento das fraudes.
Posicionamentos oficiais
Em nota, a assessoria da Skazi informou que a empresa “recebeu com surpresa a força-tarefa nas dependências de sua fábrica, em Belo Horizonte, e está colaborando com os órgãos competentes e se coloca à disposição da Justiça para o esclarecimento dos fatos”.
O Grupo AMC Têxtil informou “que comprou a marca Skazi em novembro de 2019, após as datas compreendidas na investigação da Operação Ponto Sem Nó. Maiores esclarecimentos serão prestados posteriormente, se necessário”.




