Polícia Civil investiga bens de empresário morto pelo filho de 15 anos
Delegado do caso diz que objetos apreendidos podem ajudar a identificar o perfil do empresário, que vivia uma vida de luxo. Filho de 15 anos atirou no pai alegando legítima defesa.
Na última terça-feira (3), um homem foi morto a tiros pelo filho, em Valinhos, no estado de São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, o adolescente de 15 anos teria atirado contra o pai para proteger a mãe. Agora, o caso passa a ser investigado também pela Polícia Civil por conta do histórico e dos bens do empresário.
O crime ocorreu em um condomínio de classe alta em um bairro da cidade paulista. De acordo com a EPTV, afiliada da TV Globo, o empresário morto pelo filho era conhecido por colecionar carros de luxo. Ele teria atuação no mercado de comércio exterior e de som automotivo.
A investigação do crime aponta para a possibilidade de legítima defesa do adolescente, que segundo o delegado “vivia em um ambiente de muita violência doméstica“. Durante o trabalho de apuração da Polícia Civil, surgem também detalhes paralelos ao homicídio que vieram à tona durante o trabalho da polícia e passaram a ser alvos de investigações.
Segundo o delegado do caso, João Neves Netto, objetos que foram apreendidos pela Polícia Civil no local podem ajudar a identificar o perfil do empresário. O homem dizia atuar no mercado de comércio exterior e som automotivo, mas usava nomes falsos, já tinha passagem por estelionato e uma condenação na Justiça do Paraná por ter utilizado vários cheques sem fundos em 2000.
Os bens
O empresário de 42 anos tinha uma fama por conta da coleção de carros milionários, sendo eles uma McLaren, levada à delegacia de Valinhos, e modelos de fabricantes de luxo como Maserati, Lamborghini e BMW.
Além dos veículos avaliados em milhões, ele tinha um arsenal de oito armas, incluindo um fuzil calibre 556, uma “arma de guerra”, de uso militar. O homem também possuía uma carabina ponto 40, duas pistolas 9 mm, duas pistolas calibre 380 e dois revólveres, um 45 e outro de calibre 380.
“Quando estivermos no local, localizamos uma quantidade considerável de armas de fogo, todas elas foram apreendidas e serão periciadas. Retornamos ao imóvel e localizamos outra porção de munições de diversos calibres, e também apreendemos o computador e outros equipamentos eletrônicos do empresário”, explicou o delegado.
A Polícia Civil vai apurar se os automóveis, armas e outros bens foram adquiridos de forma legal ou não.

O crime
Em depoimento, o adolescente disse que atirou com uma das armas da coleção do pai depois de uma briga. Segundo ele, o pai agrediu a mãe e o ameaçou com uma barra de ferro. Pessoas que trabalham na casa confirmaram a versão de que o homem era violento. A Polícia Militar disse que o jovem pegou uma pistola que estava na residência e atirou pelo menos três vezes.
“Um tiro pegou na região do abdômen. A pessoa ferida conseguiu correr até o carro, e o garoto foi até o veículo porque, segundo ele, lá tinha outra arma e o homem iria utilizar essa arma contra o adolescente e a mãe. Por isso, ele efetuou mais dois disparos”, disse o tenente da PM Juliano Cerqueira.
Legítima defesa
O delegado João Neves Netto afirmou nesta quarta (4) que, diante da confirmação de um “ambiente claro de violência doméstica”, ficou “claro a situação de legítima defesa”.
“Pelas apurações realizadas e oitivas, verificamos que família vivia num ambiente extremamente desregrado, ambiente de muito atrito, muita violência doméstica. (…) Consideramos claro a situação de legítima defesa realizada pelo adolescente para defender tanto sua vítima como da genitora”, disse Netto.
Ambiente familiar
O responsável pelo caso, João Neves Netto, afirmou que o adolescente e a mãe eram vítimas constantes de violência física e psicológica do empresário, o que evidencia a legítima defesa por parte do jovem.
Segundo o delegado, não havia registros na Polícia Civil da mulher contra o empresário, mas ela teria alegado que sofria ameaças para não realizar tais denúncias.
“Ela disse que jamais pode realizar qualquer registro ou denúncia por opressão do seu esposo, que ameaçava constantemente que se algo fosse feito, ele atentaria contra a vida dela”, completou o delegado.




