Cartaz em república de São João del-Rei provoca polêmica ao incitar violência contra a mulher

Cartaz fixado na república trazia artigos de cunho machista

Cartaz em república de São João del-Rei provoca polêmica ao incitar violência contra a mulher

Um cartaz fixado em uma república estudantil em São João del-Rei, na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais, provocou indignação das mulheres que frequentam a Universidade Federal instalada no município (UFJS). O material traz dizeres machistas, que incitam a violência contra a mulher e pregam a cultura do estupro.

O cartaz está na república “DaNação” e foi divulgada em um post na página “Spotted Feminista UFSJ”, que se dedica a relatar episódios de assédio e machismo na Universidade Federal de São João del-Rei. O material tem frases como “é vedada toda e qualquer recriminação aos moradores que embebedar (sic) uma mulher para pegá-la", "nunca se deve bater em uma mulher. Ela pode gostar" e "não tenha escrúpulos, seja cafajeste: toda mulher gosta de sofrer”.

Diante da situação, o Diretório Central dos Estudantes da universidade (DCE-UFSJ) divulgou nota de repúdio ao comportamento dos integrantes da república. Segundo o DCE, "o cartaz divulgado estimula um crime contra a dignidade sexual, previsto no artigo 215 do Decreto-Lei no 2.848 do Código Penal". O diretório afirmou ainda que "cartazes como esse legitimam e perpetuam a violência de gênero, que mata mulheres todos os dias no Brasil e no mundo" e ressaltou: "Isso não é uma brincadeira, isso não é engraçado, isso é CRIME."


DCE emitiu nota repudiando cartaz em república                                                                                       Foto: Reprodução Facebook

O post do DCE motivou dezenas de comentários com críticas ao cartaz fixado na república "DaNação". "Tô chocada! Não imaginei uma barbaridade tão grande! Que bom que repudiaram, isso instiga a violência contra a mulher, desrespeito total!", escreveu uma das internautas. "Fazem apologia ao estupro, ao desrespeito à mulher. Chocada que esse cartaz ficou colado por 13 anos, segundo os próprios moradores!", diz outro comentário no post do diretório.

Após a repercussão, os moradores da república divulgaram uma nota afirmando que queimarão o cartaz. No texto, os estudantes admitem que erraram ao manter a lista e pedem desculpas "a todas as mulheres que já frequentaram a nossa casa e tiveram a desagradável experiência de ler aquele cartaz."

"Erramos por ter convivido tanto tempo sem nos incomodar com o conteúdo deste cartaz de conteúdo machista. Temos família, esposas, namoradas, irmãs, mães e filhas. Não gostaríamos que elas fossem tratadas da forma como aquele cartaz sugere", escreveram.