Orgulho LGBTQIA+: conheça a história de Manu e suas mães
Para fechar e honrar o mês do orgulho, a DeFato traz a linda história de Manu e suas mães, Juliana e Isabela.
No dia 28 de junho é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, sendo junho o mês do orgulho, que se encerra nesta quinta-feira (30). E, para comemorar e honrar o período, a DeFato traz a linda história de Manu e suas mães, Juliana e Isabela. Elas são casadas, estão juntas há sete anos, e são mães de uma bebê muito desejada, gestada por Juliana. O casal registra sua história nas redes sociais, compartilhando um pouco dos momentos pessoais e desenvolvimento de Manu.
Ver essa foto no Instagram
Juliana tem 32 anos, fisioterapeuta e é natural de Itabira, Isabela tem 29 anos, advogada e é natural de Belo Horizonte. Elas estão juntas, com união reconhecida em cartório, há pouco mais de um ano. No casamento elas já estavam esperando Manu, gestada por Juliana. Em entrevista ao portal DeFato elas contam que ter um bebê sempre foi um sonho de ambas, o que elas conseguiram concretizar por meio da fertilização in vitro (FIV). Juliana relata:
“Sempre foi um sonho de nós duas sermos mães, a gente conversou sobre isso desde o início do relacionamento… e depois de muita conversa a gente decidiu que eu quem iria gestar a Manu. Nós optamos fazer isso por meio da FIV para ter mais segurança, porque a gente pesquisou bastante a respeito, e hoje, no Brasil, para um casal de duas mulheres conseguir registrar com segurança uma criança gestada, ele precisa ter feito esse procedimento em uma clínica. A gente precisa dessa documentação da clínica para poder registrar, e eles pedem também que exista um registro da união em cartório.”
Juntas, Juliana e Isabela planejaram os próximos passos para suas vidas e a realização de seu sonho. Elas buscaram uma clínica e acompanhamento médico em São Paulo, onde receberam assistência e acolhimento neste processo. As mulheres destacam que a decisão pela gestação foi um “segredo”, até que realmente o processo desse certo. A partir da confirmação do positivo para a gestação, elas decidiram contar e dividir a felicidade com seus entes queridos.
“A gente sempre teve um acolhimento da maior parte da família, tanto na minha, quanto na da Bela. (…) Quando a gente contou, para a grande maioria deles foi muito tranquilo, a gente só recebeu amor, fomos muito acolhidas. (…), para alguns membros teve aquele primeiro susto, mas hoje eles não apenas lidam bem com a ideia e já nos acolhem com carinho, como tem até o interesse de saber sobre outras famílias como a nossa.”, pontua Juliana.
As mulheres contam que a gestação foi tranquila e sem intercorrências, um momento em que receberam muito suporte e carinho. O período foi vivenciado durante a pandemia, o que fez com que passassem pela gravidez em isolamento. Elas destacam que todo esse cenário permitiu que os primeiros momentos com Manu na barriga acontecessem de modo bem íntimo e seguro, contudo se preocupavam em como seria quando a bebê nascesse:
“Enquanto a gente estava em casa, fugindo da Covid, estava tudo tranquilo. A nossa preocupação era como seria isso após o nascimento da Manu. Em como nós seríamos abordadas, porque a gente sabe que nos últimos anos as pessoas estão se sentindo mais confortáveis para expor a homofobia, a intolerância está mais escancarada.”
A família de Juliana e Isabela também se preocupa com a segurança delas, e elas contam que sempre vivenciam microviolências em seu cotidiano com Manu. Apesar disso, o casal tem uma visão compreensiva sobre a concepção de algumas pessoas sobre a vivência homoafetiva:
“A gente sabe que, muitas vezes, as pessoas não fazem (comentários) por maldade. Tem várias situações em que a gente percebe que a fala da pessoa vem por falta de instrução, por falta de ter uma vivência anterior a essa com uma família como a nossa. A gente tenta sempre respirar fundo quando vemos alguma atitude que a gente não gosta, e tratar a pessoa com educação, porque se a gente não fizer isso a gente tira da pessoa a oportunidade dela aprender algo conosco.”
Ainda assim, Juliana e Isabela acabam se privando de frequentar alguns espaços em que não se sentem confortáveis e seguras. Preocupando-se, principalmente com a segurança de sua bebê, elas acabam cerceadas pela intolerância da sociedade:
“Isso não é algo legal, é o preconceito nos limitando de alguma forma… mas é a forma segura de se viver, quando temos uma criança com a gente. O nosso cuidado é redobrado e a gente tenta manter ela nessa nossa bolha, ao menos por enquanto, porque ela é muito nova. Ela está em um momento de receber amor, a gente não quer expor ela a pessoas ruins.”
Juliana, Isabela e Manu têm uma vivência como a de muitas famílias em nosso país. Qualquer constituição de família tem uma rotina, amor, hábitos, obrigações… e assim elas, e muitos de nós, vivem.
A prioridade para as mães são as necessidades da bebê, por isso elas trabalham em casa e se adaptam para acompanhar Manu por todo o tempo. Juliana e Isabela também aplicam técnicas de disciplina positiva, criação não-violenta e com apego, porque acreditam que essa é a melhor forma de criá-la como um bom ser humano, com muito amor.

Ao falar sobre o orgulho LGBTQIA+, Juliana destaca a importância de reconhecer esse período como um momento de luta, ensinamentos e aprendizados:
“Vez ou outra, que seja um em cem, alguém que apareceu para fazer uma crítica, para falar alguma coisa desnecessária, aprende, escuta, lê, ouve… e aí já vale! A gente já fez mais uma pessoa entender que a gente merece respeito. Eu acho que o orgulho é muito sobre isso, sobre mostrar para a sociedade como um todo que a gente merece respeito, que o nosso amor é um amor pleno como o amor de todo mundo, que a nossa família é como outra qualquer, que os nossos filhos, os filhos das famílias homoafetivas, vão ser bem criados e amados como qualquer outra criança deve ser criada e amada.”
A sociedade como um todo ainda tem muito a aprender, especialmente sobre a aceitação e nuances da diversidade. Por isso, o orgulho LGBTQIA+ envolve luta, manifestos e trocas. A evolução humana acontece de modo constante, e a esperança de dias melhores para todos mora aí. Em especial para essas populações que, por ora, ainda são marginalizadas… mas, um dia, não mais serão.




