Sistema Apac é destaque na Veja; reportagem mostra ex-goleiro Bruno com as chaves da própria cela

O ex-goleiro Bruno tem as chaves da própria cela: na cadeia, ele trabalha como vigia

Sistema Apac é destaque na Veja; reportagem mostra ex-goleiro Bruno com as chaves da própria cela

Na contramão do colapso do sistema penitenciário brasileiro, da guerra de facções que banaliza a vida e produz montes de corpos mutilados, um modelo de prisão alternativa tem dado certo. A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) ganha destaque no noticiário nacional e ensina como reduzir o caos e dar uma chance de transformação às pessoas que cometeram crimes e crimes, inclusive os mais perversos.

A Apac de Santa Luzia é manchete de Veja nesta terça-feira, 24 de janeiro. No site da revista da editora Abril, uma fotografia de Sérgio Dutti expõe Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo, com chaves da própria cela e dos colegas em mãos. Condenado a 22 anos e 3 meses de reclusão pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, Bruno trabalha na Apac vigiando os demais detentos.

A unidade prisional humanizada de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem entre os reclusos, homicidas, assaltantes, estupradores e traficantes. São quase 175 pessoas condenadas pela Justiça.

O texto do repórter Hugo Marques descreve que os presos se dividem entre oficinas, hortas e trabalhos manuais e artesanais. Os recuperandos fazem cursos como marcenaria, padaria, jardinagem, informática e pintura. Todos estudam, há biblioteca, ‘DVDteca’, computadores e internet para curso superior à distância. Os presos usam crachá e são chamados pelo nome.

De acordo com Veja, Bruno está há um ano e quatro meses na unidade. Por lá fez cursos e ganhou confiança. “A Apac é uma obra de Deus: devolveu a minha dignidade, restituiu a minha família”, disse o jogador ao veículo.

O modelo das Apac’s é disseminado no país e chama a atenção de autoridades de outros países. Em Itabira, um centro de reintegração social da Apac é construído em Córrego do Meio, na zona rural da cidade, apesar da resistência da comunidade.

A unidade da Apac em Santa Luzia conta também com os serviços de 40 voluntários. Um dos depoimentos é de Hilton Ferreira Pena, vice-presidente da instituição e tratado por presos como pai. Antes da construção do CRS, Hilton ajudou a fazer um abaixo-assinado para impedir que a penitenciária ficasse ali, próximo de sua casa.

O homem, após a conclusão do projeto, mudou de ideia. “Se algum recuperando está triste, vou lá e converso com ele. Meus filhos brigam comigo, porque fico aqui de domingo a domingo”, disse à equipe.