Motoristas e motociclistas criam associação para melhorar o transporte por aplicativos em Itabira
Além das condições de trabalho, a MoveIta afirma que pretende atuar para melhorar a segurança e a confiabilidade do serviço para quem utiliza os aplicativos

Motoristas e motociclistas que trabalham por meio de aplicativos em Itabira se organizaram para tentar dar mais voz à categoria e discutir mudanças no serviço de mobilidade oferecido na cidade. Criada recentemente, a Associação dos Motoristas e Motociclistas de Aplicativos de Itabira (MoveIta) reúne trabalhadores que atuam em plataformas como Uber, 99 e iFood e já busca diálogo com o poder público para regulamentar a atividade, melhorar as condições de trabalho e ampliar a segurança dos usuários.
A entidade surgiu a partir de reclamações dos próprios trabalhadores sobre os valores recebidos pelas corridas, as condições dos veículos, a falta de organização do setor e situações envolvendo passageiros e motoristas. Segundo os representantes da associação, a intenção é fazer com que os profissionais deixem de atuar de maneira isolada e passem a discutir coletivamente os problemas da categoria.
De acordo com o presidente da MoveIta, Wellinton Gomes, a entidade já conta com um grupo potencial de cerca de 200 pessoas interessadas na mobilização. A associação ainda está em fase de organização e pretende criar um cadastro dos profissionais que atuam com transporte e entregas por aplicativos em Itabira. A proposta, segundo Wellington, é levantar quantos motoristas e motociclistas trabalham no setor e, a partir desses dados, estabelecer uma representação mais estruturada diante do poder público e das empresas responsáveis pelas plataformas.
Uma das principais reivindicações da entidade é a regulamentação do transporte por aplicativos no município, defendendo que o serviço tenha regras mais claras, com cadastro dos profissionais, fiscalização dos veículos e critérios mínimos para quem trabalha no setor. O presidente da associação afirma que a regulamentação também poderia contribuir para combater situações consideradas irregulares, como o uso de contas falsas ou a realização de corridas por pessoas diferentes das que aparecem cadastradas nos aplicativos.
Outro ponto levantado é a necessidade de fiscalização periódica das condições dos veículos. A proposta defendida pelos representantes envolve uma parceria com a Transita e Polícia Militar, para que sejam verificados itens como pneus, conservação, documentação e adequação dos automóveis e motocicletas aos padrões necessários para a prestação do serviço.
“O nosso objetivo, a nossa pretensão, é chegar no ponto em que o sistema de mobilidade da cidade esteja organizado e a gente faça esse bom trabalho, tanto para a população quanto para o motorista. Um trabalho organizado, bonito, com regulamentação e apoio da Transita e da Polícia Militar”, disse o presidente da MoveIta.
Para o vice-presidente da Move Ita, Hugo Moreira, a organização não deve significar apenas a criação de obrigações para os trabalhadores. A categoria também reivindica direitos e uma estrutura mínima para quem passa boa parte do dia circulando pela cidade. Segundo ele, entre as demandas apresentadas ao poder público está a permissão de embarque e desembarque de passageiros nos pontos de ônibus da cidade. Ele explica que os motoristas enfrentam dificuldades para realizar paradas em determinadas áreas, sobretudo na região central, sem prejudicar o trânsito ou correr o risco de sofrer autuações.
A associação também defende a criação de um ponto de apoio para motoristas e motociclistas. A justificativa é que muitos profissionais passam horas nas ruas e precisam de um espaço para descansar, utilizar banheiro, beber água, carregar o celular e se proteger de condições climáticas adversas. A demanda, segundo Hugo, seria especialmente importante para motociclistas, que precisam carregar equipamentos como capas de chuva e roupas de proteção durante a jornada. Segundo ele, também há profissionais que se deslocam diariamente de cidades e distritos da região para trabalhar em Itabira.
Segundo os membros da associação, a entidade já se reuniu com representantes da Transita para apresentar as reivindicações e o órgão informou que estudaria modelos adotados em outras cidades antes de apresentar propostas para Itabira. As conversas ainda estão em andamento.

Segurança também está entre as preocupações
Além das condições de trabalho, a associação afirma que pretende atuar para melhorar a segurança e a confiabilidade do serviço para quem utiliza os aplicativos. Wellington e Hugo explicam que uma das propostas é criar um canal de denúncias, inclusive de forma anônima, para que usuários possam relatar problemas envolvendo motoristas e motociclistas.
A entidade também discute a possibilidade de criar um selo próprio para identificar profissionais associados que cumpram determinados critérios de qualidade e segurança. A intenção, segundo os representantes, é que o usuário tenha mais informações sobre o profissional que está prestando o serviço e que os próprios trabalhadores também sejam estimulados a manter padrões mínimos de atendimento.
Os representantes da associação também afirmam que a MoveIta não pretende se limitar à defesa dos interesses econômicos dos trabalhadores. Eles também apontam a necessidade de melhorar a experiência dos passageiros e criar serviços mais adequados às diferentes necessidades da população. Entre as possibilidades citadas estão categorias específicas para pessoas com deficiência, transporte de animais e serviços com motoristas preparados para atender públicos que demandam cuidados diferenciados.
“A gente quer trazer conforto para o motorista e ao usuário. Para que eles [clientes] tenham resposta rápida e que sejam bem atendidos. Que os nossos motoristas tenham melhor mobilidade no trânsito e mais dignidade para trabalhar”, completa Hugo.
A avaliação dos representantes é de que a ausência de uma estrutura organizada acaba prejudicando os dois lados. De um lado, os trabalhadores enfrentam tarifas consideradas baixas, custos de manutenção e concorrência crescente entre plataformas. Do outro, passageiros relatam problemas relacionados à segurança, atendimento e dificuldade de comunicação com as empresas.