Motoristas e motociclistas criam associação para melhorar o transporte por aplicativos em Itabira

Além das condições de trabalho, a MoveIta afirma que pretende atuar para melhorar a segurança e a confiabilidade do serviço para quem utiliza os aplicativos

Motoristas e motociclistas criam associação para melhorar o transporte por aplicativos em Itabira
Rua Juca Machado – Foto: Gustavo Linhares/DeFato
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Motoristas e motociclistas que trabalham por meio de aplicativos em Itabira se organizaram para tentar dar mais voz à categoria e discutir mudanças no serviço de mobilidade oferecido na cidade. Criada recentemente, a Associação dos Motoristas e Motociclistas de Aplicativos de Itabira (MoveIta) reúne trabalhadores que atuam em plataformas como Uber, 99 e iFood e já busca diálogo com o poder público para regulamentar a atividade, melhorar as condições de trabalho e ampliar a segurança dos usuários.

A entidade surgiu a partir de reclamações dos próprios trabalhadores sobre os valores recebidos pelas corridas, as condições dos veículos, a falta de organização do setor e situações envolvendo passageiros e motoristas. Segundo os representantes da associação, a intenção é fazer com que os profissionais deixem de atuar de maneira isolada e passem a discutir coletivamente os problemas da categoria.

De acordo com o presidente da MoveIta, Wellinton Gomes, a entidade já conta com um grupo potencial de cerca de 200 pessoas interessadas na mobilização. A associação ainda está em fase de organização e pretende criar um cadastro dos profissionais que atuam com transporte e entregas por aplicativos em Itabira. A proposta, segundo Wellington, é levantar quantos motoristas e motociclistas trabalham no setor e, a partir desses dados, estabelecer uma representação mais estruturada diante do poder público e das empresas responsáveis pelas plataformas.

Uma das principais reivindicações da entidade é a regulamentação do transporte por aplicativos no município, defendendo que o serviço tenha regras mais claras, com cadastro dos profissionais, fiscalização dos veículos e critérios mínimos para quem trabalha no setor. O presidente da associação afirma que a regulamentação também poderia contribuir para combater situações consideradas irregulares, como o uso de contas falsas ou a realização de corridas por pessoas diferentes das que aparecem cadastradas nos aplicativos.

Outro ponto levantado é a necessidade de fiscalização periódica das condições dos veículos. A proposta defendida pelos representantes envolve uma parceria com a Transita e Polícia Militar, para que sejam verificados itens como pneus, conservação, documentação e adequação dos automóveis e motocicletas aos padrões necessários para a prestação do serviço.

“O nosso objetivo, a nossa pretensão, é chegar no ponto em que o sistema de mobilidade da cidade esteja organizado e a gente faça esse bom trabalho, tanto para a população quanto para o motorista. Um trabalho organizado, bonito, com regulamentação e apoio da Transita e da Polícia Militar”, disse o presidente da MoveIta.  

Para o vice-presidente da Move Ita, Hugo Moreira, a organização não deve significar apenas a criação de obrigações para os trabalhadores. A categoria também reivindica direitos e uma estrutura mínima para quem passa boa parte do dia circulando pela cidade.  Segundo ele, entre as demandas apresentadas ao poder público está a permissão de embarque e desembarque de passageiros nos pontos de ônibus da cidade. Ele explica que os motoristas enfrentam dificuldades para realizar paradas em determinadas áreas, sobretudo na região central, sem prejudicar o trânsito ou correr o risco de sofrer autuações.

A associação também defende a criação de um ponto de apoio para motoristas e motociclistas. A justificativa é que muitos profissionais passam horas nas ruas e precisam de um espaço para descansar, utilizar banheiro, beber água, carregar o celular e se proteger de condições climáticas adversas. A demanda, segundo Hugo, seria especialmente importante para motociclistas, que precisam carregar equipamentos como capas de chuva e roupas de proteção durante a jornada. Segundo ele, também há profissionais que se deslocam diariamente de cidades e distritos da região para trabalhar em Itabira.

Segundo os membros da associação, a entidade já se reuniu com representantes da Transita para apresentar as reivindicações e o órgão informou que estudaria modelos adotados em outras cidades antes de apresentar propostas para Itabira. As conversas ainda estão em andamento.

Wellinton Gomes e Hugo Moreira, presidente e vice da MoveIta – Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Segurança também está entre as preocupações

Além das condições de trabalho, a associação afirma que pretende atuar para melhorar a segurança e a confiabilidade do serviço para quem utiliza os aplicativos. Wellington e Hugo explicam que uma das propostas é criar um canal de denúncias, inclusive de forma anônima, para que usuários possam relatar problemas envolvendo motoristas e motociclistas. 

A entidade também discute a possibilidade de criar um selo próprio para identificar profissionais associados que cumpram determinados critérios de qualidade e segurança. A intenção, segundo os representantes, é que o usuário tenha mais informações sobre o profissional que está prestando o serviço e que os próprios trabalhadores também sejam estimulados a manter padrões mínimos de atendimento.

Os representantes da associação também afirmam que a MoveIta não pretende se limitar à defesa dos interesses econômicos dos trabalhadores. Eles também apontam a necessidade de melhorar a experiência dos passageiros e criar serviços mais adequados às diferentes necessidades da população. Entre as possibilidades citadas estão categorias específicas para pessoas com deficiência, transporte de animais e serviços com motoristas preparados para atender públicos que demandam cuidados diferenciados.

“A gente quer trazer conforto para o motorista e ao usuário. Para que eles [clientes] tenham resposta rápida e que sejam bem atendidos. Que os nossos motoristas tenham melhor mobilidade no trânsito e mais dignidade para trabalhar”, completa Hugo. 

A avaliação dos representantes é de que a ausência de uma estrutura organizada acaba prejudicando os dois lados. De um lado, os trabalhadores enfrentam tarifas consideradas baixas, custos de manutenção e concorrência crescente entre plataformas. Do outro, passageiros relatam problemas relacionados à segurança, atendimento e dificuldade de comunicação com as empresas.