À frente da FCCDA, Martha Mousinho destaca desejo de “redescobrir” obra de Drummond
Martha Mousinho Gomes Barbosa é pedagoga e fundadora da ONG Ame Viver – Projeto Meninar
A proposta de Martha Mousinho Gomes Barbosa, nova superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), é dar novo fôlego à obra do poeta maior de Itabira. Indicada ao cargo recentemente pelo prefeito Ronaldo Magalhães (PTB), a pedagoga do Projeto Meninar encara grande desafio: movimentar a cena artística da cidade com menos verba do poder público.
Martha Mousinho está se inteirando do trabalho na seção para a qual retorna. Entre 2005 e 2008, ela foi chefe do Departamento de Produção e Promoção Artística da FCCDA. “Me sinto desafiada porque entendo que vivenciamos um momento ímpar – não gosto de falar que seja de crise, mas de uma mudança de paradigma em todos os aspectos”, resume.
Os ares culturais de Itabira têm demandas urgentes: os Caminhos Drummondianos carecem de revitalização; o Museu de Itabira, na praça do Centenário, está fechado; a Concha Acústica, instalada no Pico do Amor, foi danificada por um temporal em 2015 e ainda não passou por reforma; etc.
Segundo Mousinho todos esses episódios já são discutidos com o Executivo municipal. “É prematuro adiantar alguma coisa”, comentou sobre o tema.
Fomento
A bandeira dela é “redescobrir” o legado deixado pelo poeta itabirano. “Não vejo que está desgastado. É redescobrir como levar a obra de Drummond a todos os segmentos e todos os setores sociais”.
A primeira estratégia alinhada pela pedagoga prevê uma capacitação de todos os colaboradores diretos e indiretos da FCCDA. O treinamento envolverá, especialmente, a vida e obra de Carlos Drummond de Andrade.
Outra ação é promover um fórum que reúna todos os artistas locais, ora da música, literatura, teatro, dança e artesanato. Na avaliação de Mousinho, a classe artística precisa de maior autonomia do poder público, haja vista a conjuntura econômica da cidade minerária.
A superintendente destacou também seu desejo de envolver o segmento de hotéis, bares e restaurantes de Itabira a fim de fomentar o maior produto cultural da cidade, o poeta Drummond. A parceria com a iniciativa privada, a seu ver, tem de ser maior. “Teremos que tirar leite de pedra na questão financeira, visar a sustentabilidade. Nossos recursos diminuíram, o número de pessoal diminuiu”, lamentou.
A superintendente destacou ainda o interesse de tornar o espaço da Casa de Drummond, também um museu.
O teatro da FCCDA foi reaberto em dezembro de 2016 após passar por manutenção. Mousinho afirmou bons olhos para com o espaço cultural e quer levar para lá o público das periferias da cidade, com iniciativas de popularização artística.
Sobre a edição do Festival de Inverno deste ano, Martha Mousinho somente adiantou o planejamento de maior descentralização do evento, envolvendo bairros de maior vulnerabilidade social de Itabira. O evento, disse, será discutido num segundo momento. “Nós primeiro temos que arrumar a casa”.