Contaminação da água por sedimentos da Vale triplica custo com tratamento
Representantes do Saae falaram sobre a qualidade da água captada pela ETA Rio de Peixe
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) revelou que a água captada na Estação de Tratamento (ETA) Rio de Peixe está contaminado com ferro e manganês. O assunto foi tratado nessa quinta-feira, 4 de agosto, em reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema). De acordo com a autarquia, as impurezas triplicam o custo do tratamento, em comparação com o mesmo procedimento feito na ETA Pureza.
A água recebe sedimentos da área de mineração da Vale, instalada próxima ao local. Para que o consumidor receba o líquido puro em casa, é preciso adicionar um composto chamado ortopolifosfato, que atua como um reagente, impedindo a incrustação, também formando uma camada protetora contra corrosão nos encanamentos. De acordo com Frederico Sander Neves, supervisor de laboratório e técnico em química da autarquia, é preciso uma quantidade três vezes maior do que o normal do composto no tratamento.
No rio de Peixe, de acordo com relatório enviado pelo Saae ao Codema, foram encontrados 1,22 miligramas por litro (mg/l) de ferro e 4,8 de manganês. Com o tratamento, o índice cai para 0,02 mg/l de ferro e 0,42 de manganês. Os parâmetros, então, ficam de acordo com o exigido pelo Ministério da Saúde, conforme a portaria 2.914, que aceita como níveis máximos 2,4 mg/l para ferro e 0,4 mg/l para manganês.
O técnico do Saae explicou que o grande problema da situação é o impacto econômico. “Não representa risco para saúde, mas, sim, econômico, pois a pessoa recebe a água suja em casa e joga fora. Os únicos problemas são a cor turva e odor”, disse Frederico. Também existe o custo com o ortopolifosfato, que encarece o tratamento. A ETA Rio de Peixe, responsável pelo abastecimento de 25 mil pessoas, em julho, teve o custo operacional de R$ 17.604. Já na Pureza, responsável por 55% do abastecimento da cidade, a conta fechou em menos de R$ 7 mil.
O Saae também informou que a Vale se comprometeu a doar 440 kg do ortopolifosfato. Karolina Lima Oliveira, representante da mineradora no Conselho, explicou que a empresa formou um grupo de estudos para tentar resolver o problema. Porém, ela disse não ser possível estimar um prazo para apresentar resultados.
O presidente do Codema e Secretário Municipal de Meio Ambiente, Nivaldo Ferreira dos Santos, explicou quais serão os próximos passos para a solução do problema. “No primeiro momento, vamos acompanhar a discussão que já existe entre o Saae e Vale. A mineradora também tem responsabilidade, pois parte da água vem de áreas que a Vale lança rejeitos de mineração. A empresa está fazendo uma dragagem na represa para retirar parte dos rejeitos, principalmente na área mais próxima da captação. E o Saae apresentou que o tratamento está sendo suficiente, pois a água que sai da estação para as casas é própria para o consumo”, afirmou.
Planejamento
Questionados por membros do Codema se no planejamento para a construção da ETA Rio de Peixe não era previsto o problema, o técnico do Saae disse que não. “Não tinha essa situação ao colher as primeiras amostras. Agora existe um banco de areia no meio da barragem”, completou Frederico.
O problema foi detectado pelo Saae depois que vários moradores de bairros atendidos pela ETA Rio de Peixe reclamaram da coloração da água que saia das torneiras. Os técnicos informaram que qualquer consumidor que estiver inseguro do líquido que chega à residência pode acionar a autarquia, que analistas serão enviados para fazer os testes no local. O telefone geral do Saae é o 3839-1300.