25% das crianças e adolescentes de Itabira estão envolvidas em crimes, diz presidente de conselho
Clecio Lopes esteve na Câmara e falou sobre os problemas envolvendo crianças e adolescentes

A volta das reuniões da Câmara dos Vereadores de Itabira nesta terça-feira, 2 de agosto, após o recesso, foi marcada também por uma lembrança aos 26 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Clecio Lopes, subiu à tribuna para falar sobre o tema e apresentou dados alarmantes. De acordo com ele, 25% das crianças e adolescentes de Itabira estão envolvidas direta ou indiretamente com drogas e violência.
Clesio explicou, em entrevista à imprensa, que esses dados foram obtidos pelo instituto Educare, cruzando informações da própria instituição com outras da Secretária Municipal de Educação. Ele também falou que membros de Itabira são parceiros desse instituto responsável pelo levantamento dos números. Além da participação dos jovens no crime, o presidente do conselho enumerou, ainda, que atualmente existem 23 casos de violência contra crianças sendo apurados na cidade.
Na tribuna da Câmara, Clecio convidou os vereadores a refletirem sobre as ações de proteção a crianças e adolescentes. Também lembrou que uma das atribuições é gerir o Fundo Municipal da Criança e Adolescente. Segundo ele, esse fundo dispõe de quase um milhão e meio de reais, mas está impedido de deliberar recursos desde 2013, por falta de um plano de ação, que aponte aonde estão os pontos de vulnerabilidade em Itabira. “Este ano tivemos o início de uma deliberação desses recursos. Só que por falta desse diagnóstico, o próprio Ministério Público impediu de ter que deliberar esse recurso. Então, não foi deliberado para este ano de 2016.”, afirmou.
Dificuldade
O presidente do Conselho explicou que ele é formado por 49 entidades, além de todas as escolas da rede de ensino. Clecio disse que a maior dificuldade de atuação tem sido atrair entidades para as discussões. “Entendemos que ainda é pouco, pois existem outras entidades, associações de bairro, que têm projetos infantis e que isso não está dentro do conselho. Então, acompanhar e orientar essa condução de entidades também é um processo preventivo e assim conseguiremos reduzir um número absurdo de abusos e violência contra a criança e adolescente”, comentou.
Repercussão
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Alguns vereadores aproveitaram a presença de Clecio Lopes para tecer alguns comentários sobre o ECA. Toninho da Pedreira (PPS) disse que a aplicação da lei está distante da realidade e que o adolescente conhece o caminho da impunidade. Já Palhaço Batatinha (PSDB) afirmou que ao mesmo tempo que o ECA protege, também ensina como crianças e adolescentes podem desrespeitar os pais. O vereador ainda criticou a falta de espaço para as crianças praticarem esportes nos bairros, o que, para ele, alimenta o envolvimento dos mais jovens na criminalidade.
Solimar Silva (SD) considerou que é necessário oferecer oportunidade profissionais cada vez mais cedo aos jovens, que são impedidos de trabalhar antes de completar 14 anos, na condição de menor aprendiz. Tãozinho Leite (SD) comentou que a droga está diretamente ligada a violência, seja na família ou com o próprio adolescente. Geraldo Torrinha (PHS) explicou que é necessário investir na família. Para ele, o caminho não é somente construir um centro de recuperação de menores, que lotaria rápido e não resolveria o problema.
Bernardo Mucida (PSB) disse que a violência em Itabira é uma reclamação de muitas pessoas e, por isso, é necessário investir no jovem, para que não sigam para o mundo do crime.