Por ordem de Alexandre de Moraes, PF cumpre 4 mandados de prisão e 103 de busca contra manifestantes
Investigadores consideram que trata-se da maior ofensiva já realizada conta os financiadores dos atos antidemocráticos
A Polícia Federal (PF) abriu na manhã desta quinta-feira (15) uma operação que faz buscas contra pessoas envolvidas em manifestações em todo o Brasil, entre elas os bloqueios de estradas promovidos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) inconformados com a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. Investigadores consideram que trata-se da maior ofensiva já realizada conta os financiadores dos atos.
Estão sendo executados 80 mandados de busca e apreensão em sete Estados: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, além do Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, a Superintendência da PF no Espírito Santo confirmou outros 23 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão naquele Estado. Também foram autorizados bloqueio de contas e quebra do sigilo bancário dos investigados. No Espírito Santo, são alvos da ação os deputados estaduais Capitão Assumção (PL) e Carlos Von (DC). Em outro desdobramento da operação, houve determinação de bloqueios de 168 perfis nas redes sociais.
A ofensiva é aberta três dias após manifestantes tentarem invadir a sede da Polícia Federal em Brasília, além de atearem fogo a carros e ônibus na capital federal. O estopim para a escalada dessas ações foi a prisão do líder indígena José Acácio Serere Xavante, sob suspeita de supostos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A medida foi decretada a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a Polícia Federal, José Acácio Serere Xavante teria realizado atos considerado irregulares em frente ao Congresso, no Aeroporto de Brasília, no centro de compras Park Shopping, na Esplanada dos Ministérios e em frente ao hotel onde estão o presidente e o vice-presidente da República eleitos, Lula e Geraldo Alckmin (PSB).
Após essas manifestações se espalharem pelo Brasil com a derrota de Bolsonaro nas urnas, o Supremo determinou o desbloqueio de rodovias que foram tomadas pelos apoiadores do presidente. Além disso, a Corte máxima impôs multa aos veículos identificados como participantes dos atos — e ainda determinou que as Polícias e Ministério Público investiguem supostos líderes e financiadores das ações.
As ações levaram à abertura, no Supremo, de uma apuração “em razão da ocorrência, após a proclamação do resultado das Eleições Gerais de 2022 pelo Tribunal Superior Eleitoral, de diversos atos antidemocráticos, nos quais grupos de caminhoneiros, insatisfeitos com o resultado do pleito, passaram a bloquear o tráfego em diversas rodovias do país, em modus operandi semelhante ao verificado nos Feriados da Independência de 2021 e 2022”.
No bojo de tal petição, o relator, ministro Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio de contas bancárias de dez pessoas e 33 empresas diante da possibilidade de financiamento de “atos ilícitos e antidemocráticos” que bloquearam rodovias em todo o Brasil.




