Polêmico festival chinês em que se comem 10 mil cachorros acontece nesta segunda

Estima-se que mais de 10 mil cachorros serão consumidos no Festival

Polêmico festival chinês em que se comem 10 mil cachorros acontece nesta segunda

A cidade chinesa de Yulin, na província sudoeste de Guangxi, se prepara nesta segunda-feira, 20 de junho, para dar início à controversa carnificina de cachorros, em um ambiente cada vez mais tenso pelos crescentes chamados para colocar fim à prática. O Festival gera controvérsia não só pela prática de comer estes animais, comum na Ásia, mas pela procedência dos mesmos: a maioria dos cachorros que acabam servidos no prato neste festival são animais de companhia roubados ou de rua, segundo um estudo da Fundação de Animais da Ásia de 2015. 

Milhares de cachorros, com números distintos de diferentes organizações já que não há dados oficiais, serão sacrificados na terça-feira para incluí-los no menu do dia do Festival de Carne de Cachorro de Yulin. O Festival é uma popular celebração que vem dos anos 90 e tem como objetivo comemorar o solstício de verão – dia mais longo do ano – com o consumo de milhares destes animais.

Em Yulin, a carne de cão é normalmente servida com lichias, uma fruta fresca, típica da China, e regada com "bai ju", uma aguardente à base de cereais.

Cultura

Comer carne de cachorro não é ilegal na China, mas não existe acordo sobre o quão tradicional é esta prática. Os que defendem a tradição, acusam as organizações ocidentais que se opõem ao festival de hipocrisia, argumentando que para alguns chineses o consumo de carne de cachorro é tão comum quanto o consumo de carne de vaca em muitos países.

Abaixo-assinado

O evento foi condenado por organizações protetoras de animais e está mobilizando milhares de internautas que pedem o cancelamento da celebração. Muitos defensores dos animais que o consideram um espetáculo "bárbaro" e "cruel" e protestam contra o festival.

Cerca de um milhão de pessoas assinaram um abaixo-assinado no site Change.org pedindo que o festival fosse cancelado. A hashtag #stopyulin2015 (parem Yulin 2015) circulou com força nas redes sociais. Outros abaixo-assinados, em vão, também “rodaram” pelo mundo.

Mas isso não impediu que a festividade tivesse início neste sábado. Restou aos ativistas ações individuais: segundo a agência de notícias AFP, uma chinesa de 65 anos gastou US$ 1.000 para comprar cem cachorros e impedir que eles fossem mortos para o festival.