Ao menos três pessoas morreram nessa quinta-feira, 21 de abril, no desabamento de trecho da Ciclovia Tim Maia (conhecida também como Ciclovia Niemeyer), no Rio de Janeiro, inaugurada há apenas três meses ao custo de R$ 45 milhões. Construída em uma rota elevada sobre costões e rochedos, com as ondas do mar de um lado e a mata atlântica do outro, a ciclovia fica entre as praias do Leblon e São Conrado, e foi atingida por uma forte ressaca que destruiu parte da estrutura.
O acidente ocorreu no mesmo dia em que em Olímpia, na Grécia, a Tocha Olímpica foi acesa, um momento importante que simboliza a proximidade dos Jogos, cuja abertura no Maracanã está marcada para 5 de agosto.
Vítimas
Duas mortes pelo desabamento foram confirmadas. Eduardo Marinho Albuquerque, engenheiro de 54 anos, foi reconhecido pelo cunhado, João Ricardo Tinoco. A segunda vítima trata-se de Ronaldo Severino da Silva, 60 anos.
As buscas a uma terceira vítima, que seria uma mulher, de acordo com testemunhas, foram retomadas no início da manhã desta sexta-feira (22).
"Imperdoável"
Em nota, o prefeito Eduardo Paes lamentou o acidente. “É imperdoável o que aconteceu. Já determinei a apuração imediata dos fatos e estou voltando para o Brasil para acompanhar de perto”, disse nessa quinta. Paes deixou o Rio na quarta-feira à noite rumo à Grécia, onde participaria da cerimônia da passagem da Tocha Olímpica.
Questionado em entrevista coletiva sobre as possíveis causas – e o fato de o episódio ter ocorrido já na reta final dos preparativos olímpicos -, o secretário Pedro Paulo disse que esperará o laudo final, mas que "todos estamos muito tristes, precisamos auxiliar as vítimas e deixar a equipe técnica trabalhar para sabermos o que aconteceu". Ele disse que uma das possibilidades é que a força das ondas tenha levantado a base da ciclovia e derrubado-a.
Resposta do Consórcio
O Consórcio Contemat/Concrejato, responsável pela obra da ciclovia, divulgou uma nota sobre o incidente dizendo que "vai trabalhar incessantemente até que sejam conhecidas as causas do acidente ocorrido na manhã de hoje (quinta-feira) em ciclovia na orla do Rio de Janeiro. As prioridades neste momento são garantir o atendimento às vítimas e a seus familiares e dar início à apuração acerca das causas do acidente." O consórcio reforçou que "segue todos os protocolos e normas de segurança, utilizando-se das mais modernas técnicas e equipamentos de construção".
Sobre a obra específica da ciclovia, a empresa diz que "todo o processo foi supervisionado pelos órgãos de fiscalização competentes."
Ciclovia
Ao custo de R$ 44, 7 milhões, a obra levou pouco mais de um ano e meio para ficar pronta e tem 3,9 km de extensão, com 2,5 metros de largura. Apesar de não ser uma obra olímpica, a ciclovia liga a Zona Sul do Rio à Barra da Tijuca, justamente o bairro que abrigará o Parque Olímpico e sempre foi anunciada como parte das transformações vividas pelo Rio de Janeiro em função da Olimpíada.
A Ciclovia do Joá, cujas obras devem ficar prontas em junho, será a continuação do percurso, ligando São Conrado à Barra, e possibilitando ir de bicicleta do centro do Rio até a Barra. E já há questionamentos sobre a estrutura desta parte da obra, já que o projeto é essencialmente o mesmo.