Fachin cancelou sessão do STF por temer ataques de Gilmar a Mendonça e Fux
O entorno de Fachin receia que diante do ambiente tenso na Corte, muitos dos julgamentos não atinjam o quórum mínimo de seis magistrados
O presidente do Superior Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou nesta quinta-feira (17) a sessão plenária prevista para as 14 horas por temer novos ataques do ministro Gilmar Mendes aos seus pares, André Mendonça e Luiz Fux, no caso do Banco Master.
Fachin anunciou também o adiamento do julgamento pré-agendado para o dia 23 de setembro sobre a alegação de abuso de autoridade feitas pelo ministro Alexandre de Moraes contra Mendonça. O pedido foi feito a partir da determinação de Mendonça em tornar públicas as 52 mensagens entre Daniel Vorcaro e Moraes.
Pela manhã, Gilmar Mendes publicou nas redes sociais um texto taxando Mendonça de “boneco de campanha e “pixuleco eleitoral”.
Uma hora depois, em nota, Mendonça respondeu que o decano transformou a sessão inédita da terça-feira (15) em um “picadeiro”.
Gilmar também divulgou um ofício encaminhado ao colega Luiz Fux, presidente da Segunda Turma, na semana passada, reclamando de um suposto jogo combinado entre ele e Mendonça no julgamento sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Segundo relatos de um ministro e por auxiliares de outros dois, feitos à Folha de São Paulo, o receio de Fachin era de que essas tensões acabassem se repetindo no plenário, ainda que a participação de Mendonça fosse por vídeo, pois ele viajou para a capital paulista.
A sessão cancelada desta quinta-feira tinha como pauta um recurso que discute reajustes de planos de saúde por faixa etária.
Na quarta-feira (16), o Supremo ignorou os embates e bate-bocas da véspera e prosseguiu a sessão normalmente, com um processo tributário e o outro sobre o direito à licença-maternidade por mães adotivas.
O entorno de Fachin receia que diante do ambiente tenso na Corte, muitos dos julgamentos não atinjam o quórum mínimo de seis magistrados. Outro receio é de que Moraes, Gilmar e Dino, os mais vocais, desvirtuem a pauta para ressuscitar os termos do Master, como poderia ter ocorrido nesta quinta-feira.