Conselheiros dizem que acordo frustrado não traz prejuízos ao Valério

Hagner Barbosa, Everaldo Alvarenga, Sérgio Henrique, Luzardo Drummond e Edimar Ferreira (Dida) compareceram à entrevista e falaram sobre acordo com português

Conselheiros dizem que acordo frustrado não traz prejuízos ao Valério

Conselheiros do Valério convocaram uma entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, 5 de janeiro, para falar sobre o acordo frustrado com a empresa que gerenciava o projeto Valério Private Clube. O contrato de arrendamento veio à tona nessa segunda-feira, 4, com a prisão do empresário português Filipe Antônio Veloso Vieira, 40, acusado de crimes de fraude em seu país de origem. Segundo os conselheiros, o VEC não sofreu qualquer prejuízo.

De acordo com o conselheiro jurídico do clube, Everaldo Alvarenga Lage, o Valério não fez acordo algum com o empresário português. Na operação, Filipe era apenas representante da empresa Engil Construtora (de razão social A.F. Tiago Construções – EPP), de Itabira. Segundo comentou o ex-presidente Luzardo Drummond com a reportagem de DeFato Online nessa segunda-feira, logo após a prisão do intermediário, o português é cunhado de um sócio dessa empresa.  

“O negócio foi feito com a empresa. O Filipe era apenas representante. Antes de formalizar o contrato, fizemos pesquisas e ela é completamente regular. O contrato é muito bem amarrado. O Valério não sai com prejuízo algum dessa história”, comentou o advogado Everaldo Alvarenga. Ele explicou que a empresa tinha metas trimestrais para cumprir. Em caso de descumprimento, o contrato estaria automaticamente desfeito. O primeiro prazo termina justamente nesta terça-feira, às 23h59.

Responsável pela articulação entre a empresa Engil e o Valério, o empresário Hagner Barbosa, conselheiro do clube, lamentou o desfecho do acordo. “Eles chegaram a fazer a pintura, limparam as piscinas, fizeram algumas melhorias. Estavam cumprindo essa parte do acordo. Já haviam contratado um arquiteto para elaborar o projeto. Infelizmente, não deu certo. Foi uma tentativa, poderão vir outras”, afirmou, indicando que novos investidores serão procurados pelo VEC.

Presidente do Conselho Deliberativo e presidente executivo interino do Valério enquanto não acontecem novas eleições, Sérgio Henrique Gomes, também afirmou que o contrato foi bem feito e que isso resguardou o clube de possíveis prejuízos. Ele foi outro que lamentou a parceria frustrada. “Precisamos resgatar esse patrimônio”, disse.

Cores portuguesas e cotas vendidas

Apesar do empresário Filipe Antônio Veloso Vieira ser descrito pelos conselheiros como sendo apenas um representante da empresa itabirana na negociação, todo o material gráfico do Valério Private Clube estava sendo confeccionado – e já distribuído – com as cores da bandeira portuguesa. Na parte social do clube, as paredes foram pintadas em vermelho, verde e branco.

Os arrendadores do VEC já comercializavam cotas para o novo projeto. Logo na entrada do complexo esportivo está afixada uma folha com informações de mensalidades e documentos necessários para aquisição da cota. A categoria “Sócio Família” cobrava R$ 25 de inscrição e mensalidade de R$ 75. A “Sócio Individual” dependia de R$ 25 de inscrição e R$ 65 de mensalidade. Por fim, a categoria “Sócio Estudante” cobrava inscrição de R$ 25 e mensalidade de R$ 65.

De acordo com o presidente interino Sérgio Henrique, foram vendidas pouquíssimas cotas, menos de 20. Ele afirmou que assim que estiverem solucionados todos os entraves burocráticos, a secretaria do clube entrará em contato com os que fizeram o investimento para discutir a melhor forma de resolução.

Engil Construtora

A empresa A.F. Tiago Construções – EPP, ou Engil Construtora, foi criada em dezembro de 2014 e tem sede cadastrada na rua Mármore, 248 – C, no bairro Major Lage de Cima, em Itabira. No local, um pequeno cômodo fechado, há apenas um cartaz afixado que orienta quem deseja “marcação de reunião ou demais esclarecimentos” a ligar em dois números de telefone.

Segundo o conselheiro jurídico Everaldo Alvarenga Lage, nenhum representante da empresa fez contato com os diretores do Valério até o momento.

Fraude em Portugal

Segundo informações apuradas na Delegacia de Polícia Civil, o português Filipe Antônio Veloso Vieira era procurado pela Interpol em diversas partes do mundo. Ele responde a cerca de 60 processos por crime de fraude em seu país de origem e tinha mandados de prisão expedidos pela Justiça de Portugal. Depois de preso, o homem foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de corpo de delito e posteriormente encaminhado para uma penitenciária em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.